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Parte do PMDB defende reação mais forte à Lava Jato

Parlamentares gostariam que houvesse uma posição mais dura na defesa partidária


	Policiais Federais em ação na Operação Lava Jato, na última sexta-feira
 (Divulgação/ Polícia Federal)

Policiais Federais em ação na Operação Lava Jato, na última sexta-feira (Divulgação/ Polícia Federal)

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Da Redação

Publicado em 18 de novembro de 2014 às 18h31.

Brasília - Parlamentares do PMDB consideram tímida a reação da cúpula do partido às denúncias de ligação da legenda com o suposto esquema de corrupção na Petrobras e gostariam que houvesse uma posição mais dura na defesa partidária.

A avaliação foi feita durante uma reunião na noite da segunda-feira, da qual participaram principalmente deputados, segundo relato de um deles à Reuters.

"Nós estamos insatisfeitos porque não tem uma posição forte do partido para defender sua imagem", disse o parlamentar, sob condição de anonimato.

Investigações decorrentes da operação Lava Jato apontam para um suposto esquema de pagamento de propina a políticos e partidos.

Segundo o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso pela PF e posteriormente colocado em prisão domiciliar por conta de um acordo de delação premiada, empreiteiras formaram um cartel e cobravam sobrepreço nos contratos com a estatal.

Parte desse sobrepreço seria destinado a partidos políticos como PT, PP e PMDB, segundo depoimento de Costa à Justiça do Paraná em outubro.

Na semana passada, uma nova fase da Lava Jato resultou em mais prisões e mandados de busca.

O ex-diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais Renato Duque e integrantes da cúpula de empreiteiras foram incluídos na lista, além do empresário Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, que foi citado nas investigações como suposto operador do PMDB no esquema.

A nova fase da operação deixou o meio político mais tenso, uma vez que empresas desses setor financiam amplamente as campanhas eleitorais há anos.

Apesar da reclamação dos parlamentares, uma outra fonte do PMDB disse à Reuters que não está prevista nenhuma operação política para reagir à investigação.

Por enquanto, segundo essa fonte, ligada ao comando do partido, as manifestações devem se restringir à posição explicitada pelo presidente da legenda, o vice-presidente da República Michel Temer, de distanciar o PMDB de Fernando Baiano, que tinha prisão preventiva decretada e se apresentou à Polícia Federal nesta terça-feira.

Na segunda-feira, Temer disse que Baiano nunca teve relação "institucional" com o partido e que pode apenas ter relações pontuais com algum membro da sigla.

O clima no PMDB é de temor, porque não se tem detalhes dos depoimentos que estão sendo prestados, e alguns dos ex-diretores sob investigação da PF foram indicados pela legenda.

"Se essa investigação for séria e avançar, pode atingir pessoas da cúpula do partido", disse à Reuters o parlamentar que participou da reunião de segunda, argumentando que falava sob a lógica dos apadrinhamentos das indicações, normalmente feitas por membros da cúpula partidária.

São considerados indicações do PMDB o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró e o presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado.

A fonte ligada ao comando do partido, no entanto, nega que a indicação de Cerveró seja de responsabilidade do PMDB.

Nas reuniões coletivas dos parlamentares do PMDB os novos desdobramentos da operação Lava Jato viraram tabu. Um dos motivos seria para evitar o constrangimento de colegas que possam vir a ter seu nome citado durante as investigações.

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