Brasil

Oposição acusa governo Temer de fugir do debate da PEC do teto

Após leitura de parecer de Eunício Oliveira, presidente da CCJ encerrou a sessão; oposição reagiu

Após presidente da CCJ encerrar sessão, Gleisi Hoffmann pediu que discussão sobre PEC fosse reiniciada (Divulgação/Facebook/Site Exame)

Após presidente da CCJ encerrar sessão, Gleisi Hoffmann pediu que discussão sobre PEC fosse reiniciada (Divulgação/Facebook/Site Exame)

Marcelo Ribeiro

Marcelo Ribeiro

Publicado em 1 de novembro de 2016 às 15h50.

Última atualização em 1 de novembro de 2016 às 15h50.

Brasília – A oposição elevou o tom após o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) apresentar, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), um parecer favorável a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto de gastos públicos no Senado.

Após a leitura do parecer, o presidente da CCJ, José Maranhão (PMDB-PB), concedeu vista coletiva de uma semana para que os integrantes da comissão possam estudar a matéria e encerrou a sessão. Alguns senadores da oposição pediram que um debate fosse iniciado e reclamaram que os aliados do presidente Michel Temer (PMDB) fogem do debate.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) pediu que os parlamentares pudessem se inscrever para que o parecer de Eunício fosse debatido já nesta terça-feira (1).

Em resposta a Gleisi, o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) afirmou que governo não estava fugindo do debate e acusou a petista de utilizar a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), da qual é presidente, para “debater equivocadamente a legitimidade da PEC”.

A reação da petista não demorou. Em seu direito de resposta, Gleisi disse que a CAE discutiu recentemente a tributação progressiva como alternativa a PEC do teto de gastos.

“O governo tem impedido o debate sobre a PEC. Nas últimas audiências da CAE, não havia nenhum representante desse governo ilegítimo”.

No mesmo sentido, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a decisão de Maranhão de encerrar a sessão sem discutir a matéria. “A gente fez um acordo e o senhor está rompendo”, gritava Lindbergh ao final da sessão. “Esse é o pacote da morte”, reclamou Fátima Bezerra (PT-RN).

Ao sair da comissão, Eunício afirmou que haverá espaço para debate na próxima terça-feira (8). Dois especialistas favoráveis e dois contrários ao texto serão convidados. A votação do relatório na comissão está marcada para quarta-feira (9).

Ele disse que Maranhão concorda que a matéria seja debatida. “Sou a favor do debate desde que seja conduzido com equilíbrio e educação. Acredito e apoio a PEC, porque é uma alternativa ao aumento da carga tributária”.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), por outro lado, não economizou nas críticas sobre a “pressa do governo para aprovar a proposta”. De acordo com ela, governo Temer quer dar celeridade à aprovação para evitar que “mobilização popular consiga pressionar senadores a derrubarem a proposta.

Apoio integral do relator

Em seu relatório, Eunício disse que a PEC é constitucional e não fere a independência entre os poderes. O senador destacou ainda que a PEC vai aumentar os investimentos em saúde e educação.

“Em relação à saúde, o Novo Regime Fiscal elevará o piso em 2017, de 13,7% da Receita Corrente Líquida para 15%. Considerando os valores atuais, esse aumento de percentual implicará elevação do piso de gastos com saúde em cerca de R$ 9 bilhões já em 2017”, disse o peemedebista. “Também em relação à educação, haverá garantia da manutenção do piso. Para 2017, o piso será aquele previsto na Constituição Federal: 18% da arrecadação de impostos líquida de transferências. A partir daí, tal como ocorrerá com o piso para gastos com saúde, os valores serão corrigidos pela inflação, garantindo seus valores reais”, acrescentou.

Próximos passos

Após a votação do parecer na CCJ, serão realizadas sessões de discussão. A votação da PEC em primeiro turno no plenário está prevista para 29 de novembro. Em 13 de dezembro, ocorrerá o segundo turno. Caso seja aprovada, a proposta será promulgada e as novas regras passam a valer.

Acompanhe tudo sobre:Michel TemerSenadoPEC do Teto

Mais de Brasil

Moraes abre inquérito para investigar vazamento de dados de ministros do STF

SP faz operação contra ingressos falsos para shows do Iron Maiden

Cracolândia acabou e não vai voltar, diz vice-governador de SP

Acordo Mercosul–UE deve entrar em vigor no segundo semestre, diz Alckmin