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Ligação com PCC e caso Corinthians-VaideBet: quem é o brasileiro sancionado pelos EUA

Empresário chegou a ser preso em 2025; Departamento do Tesouro americano o coloca como líder de esquema criminoso

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 1 de julho de 2026 às 15h52.

Última atualização em 1 de julho de 2026 às 17h37.

Principal sancionado nesta quarta-feira, 1, pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês) do Departamento do Tesouro americano por supostos vínculos com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Victor Henrique de Oliveira Shimada, de 41 anos, já foi preso e denunciado por lavagem de dinheiro no caso envolvendo um contrato da casa de apostas VaideBet com o Corinthians.

Shimada é empresário e sócio direto ou indireto de ao menos cinco empresas, entre elas a Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobrança e Tecnologia Ltda., também incluída na lista da Ofac.

No Brasil, ele chegou a ser preso em 2025, quando foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro que envolveria valores de um contrato de patrocínio da casa de apostas VaideBet com o Corinthians. Uma empresa de Shimada teria recebido valores provenientes do esquema.

Em julho do ano passado, o MP-SP denunciou o ex-presidente do Corinthians, Augusto Melo, além de outros dois ex-dirigentes do clube pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto. Shimada e outro empresário foram denunciados apenas por lavagem de dinheiro à época. Melo, que foi afastado do Corinthians, tem negado qualquer irregularidade.

De acordo com o MP-SP, os participantes do esquema desviavam valores por meio da Victory Trading. Shimada atuaria como operador financeiro para supostamente ocultar e dissimular a origem dos recursos.

O contrato com a VaideBet, casa de apostas que não tinha licença para operar no Brasil, foi assinado pelo Corinthians, à época presidido por Melo, em 2023, e previa o pagamento de R$ 360 milhões ao longo de três anos. O valor foi anunciado como o maior patrocínio a um clube brasileiro até então.

Até a publicação desta reportagem, a EXAME não encontrou a defesa de Shimada. O espaço está aberto.

Conexão com o PCC

De acordo com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o FBI prendeu seis integrantes da organização criminosa da qual Shimada supostamente faria parte na Flórida. Esses presos foram  posteriormente denunciados por lavagem de dinheiro perante o Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul da Flórida.

De acordo com o Ofac, as sanções de hoje miram o núcleo brasileiro dessa organização que atuava na Flórida, que atuava em São Paulo e seria liderado por Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.

Segundo o Tesouro americano, Shimada "desempenhava papel central como elo entre os operadores do PCC baseados na Flórida e traficantes internacionais de drogas". Ele e sua organização teriam lavado "mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em diversas cidades americanas, utilizando criptomoedas para remeter os valores ao Brasil em benefício do PCC".

'Maior do hemisfério'

Os Estados Unidos disseram considerar o Primeiro Comando da Capital (PCC) como a maior organização criminal transnacional do Hemisfério Ocidental, em comunicado divulgado nesta quarta-feira, 1.

"O PCC é atualmente a maior organização criminosa transnacional (OCT) do Hemisfério Ocidental e, nos últimos anos, expandiu suas operações globalmente, com presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão", disse o Departamento do Tesouro, em comunicado, ao anunciar sanções contra brasileiros acusados de lavarem recursos do grupo.

"Nos Estados Unidos, o PCC representa uma ameaça criminal real e crescente. Redes como a alvo desta investigação se envolvem em tráfico de drogas, contrabando de grandes quantias em dinheiro para cartéis e outras atividades ilícitas para gerar fluxos de receita para o PCC˜, afirma o comunicado.

Em outro trecho do comunicado, o governo americano chama o PCC de "maior gangue criminal da América Latina".

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