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NYT: Dilma e Marina provam que democracia “amansa” radicais

New York Times diz que ter duas mulheres brigando pelo Planalto aponta para a consolidação da democracia no Brasil. No ringue: duas visões de como deve ser o país


	Dilma Roussef e Marina Silva: embate entre as duas é prova da consolidação da democracia brasileira, diz jornal
 (Bruno Santos/Ueslei Marcelino/Reuters)

Dilma Roussef e Marina Silva: embate entre as duas é prova da consolidação da democracia brasileira, diz jornal (Bruno Santos/Ueslei Marcelino/Reuters)

Talita Abrantes

Talita Abrantes

Publicado em 16 de setembro de 2014 às 12h54.

São Paulo – Para o jornal americano New York Times, tanto Marina Silva (PSB) quanto Dilma Rousseff (PT) são uma prova concreta de que a democracia tende a moderar (ou, em bom português, “amansar”) líderes com origens radicais.

Se no passado Dilma participou de um grupo de guerrilha urbana e foi torturada pela Ditadura Militar, quando chegou ao Planalto, a petista precisou negociar um governo de coalização com o PDMB, classificado pelo NYT como um “partido de centro flagelado por escândalos”.

Já Marina, que é ex-militante do Partido Comunista e do PT, na corrida eleitoral deste ano, acena com políticas mais amigáveis ao mercado e tem como vice um político muito próximo de grupos do agronegócio - rivais históricos da candidata do PSB.

Por outro lado, a publicação afirma que ter duas mulheres brigando voto por voto pelo Planalto reflete a consolidação da democracia brasileira desde o fim da Ditadura Militar. E que o ringue eleitoral agora é pautado pelo duelo de duas visões de governo. 

De um lado está o desenvolvimentismo defendido por Dilma, que apoia o uso extensivo dos recursos naturais “para expandir a economia debaixo do domínio de grandes estatais”. De outro, o ativismo ambiental de Marina, que defende a ampliação das energias renováveis na matriz energética brasileira e proteção da floresta Amazônica.

Para o jornal, a ascensão da candidata do PSB nas eleições  resume as mudanças sociais que varreram a sociedade brasileira nos últimos anos e seria “um símbolo do sentimento contra a ordem estabelecida que enerva o Brasil, incluindo ansiedade diante de uma economia lenta e cansaço com a corrupção política”.

O New York Times lembra que, se eleita, Marina será a primeira negra a ocupar o cargo máximo do país. “Um marco em um país onde a maior parte das pessoas se identifica como negra ou mestiça, mas onde o poder político ainda está concentrado nas mãos dos brancos”, diz a reportagem.

Segundo a publicação, o discurso de “nova política” apregoado pela candidata é uma tentativa de responder às demandas dos protestos de 2013 que “revelaram uma extensa aversão ao sistema político que tirou milhões da pobreza, mas que também negligenciou a ferida aberta de problemas como corrupção ou escolas e hospitais inadequados”.

Embora seja alvo de ataques de adversários que veem em Marina uma ameaça à base laica do Estado, a fé de Marina Silva também explica sua crescente popularidade, diz o jornal. Hoje, 22% da população brasileira se declara evangélica, credo professado por ela.

"A senhora Silva tem um repertório com poucos paralelos com os dos políticos brasileiros da alta hierarquia, o que a permite ressoar nos eleitores em todo o país", afirma o jornal que cita o fato de ela ter sido empregada doméstica e cultivar um estilo de vida "asceta em contraste com a opulência de muitos líderes políticos proeminentes do Brasil". 

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