Morte do cão Orelha mobiliza protestos em diversas cidades do país neste domingo, 1º (Reprodução/Redes Sociais)
Redação Exame
Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 13h51.
Última atualização em 1 de fevereiro de 2026 às 13h53.
A morte do cão Orelha mobiliza protestos em diversas cidades do Brasil neste domingo, 1º. Os atos cobram justiça e a responsabilização dos envolvidos no caso, que ganhou repercussão nacional após a divulgação das investigações.
Em São Paulo, a manifestação ocorreu na avenida Paulista, com concentração em frente ao Masp. Cartazes com frases como "Justiça por Orelha" e "Lugar de assassino não é na Disney" marcaram o protesto, que também levantou pedidos pela redução da maioridade penal. Os suspeitos pela morte do animal são três adolescentes.
Fizemos história hoje! Não vamos nos calar!!! ✊🐾#JustiçaPorOrelha pic.twitter.com/QeCrsj9NVD
— Delegado Bruno Lima (@del_brunolima) February 1, 2026
O ato na capital paulista contou com a presença de parlamentares, ativistas e artistas. A primeira-dama da cidade, Regina Nunes, participou da mobilização e divulgou imagens nas redes sociais. A ativista Luisa Mell, conhecida pelo trabalho de resgate e proteção de animais, também acompanhou o protesto.
Milhares de brasileiros se reuniram na Avenida Paulista em protesto pela prisão dos assassinos do cão Orelha, morto a pauladas. pic.twitter.com/krrGnIISMc
— TrechoNews (@trechonews) February 1, 2026
No Rio de Janeiro, as manifestações começaram às 10h no Aterro do Flamengo, em frente ao Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial. Um segundo ato está previsto para as 16h, no Posto 2 de Copacabana, com caminhada até o fim da Praia do Leme.
Em Florianópolis, onde Orelha foi morto, o protesto aconteceu no trapiche da Avenida Beira-Mar Norte, no centro da cidade. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram manifestantes reunidos, entoando em coro pedidos por "justiça por Orelha".
NÃO VAI FICAR IMPUNE
FEDERALIZAÇÃO DO CASO ORELHA
Floripa, 01/02/26 pic.twitter.com/13k47vPg9n
— Enfermeiro do BRICS (@enf_intensiva) February 1, 2026
No Espírito Santo, ativistas se concentraram na avenida Dante Michelini, em Vitória, exibindo cartazes com mensagens como "Toda vida importa" e "Paz sem voz não é paz, é medo".
Em Belo Horizonte, o ato ocorreu na Feira Hippie, às 10h, com o lema "Crueldade não é acidente". Já em Brasília, a manifestação organizada pela Associação ApDog, está marcada para as 16h.
Além dessas cidades, protestos também são registrados em locais como Belém, Fortaleza, Porto Alegre, Manaus, Natal, Ribeirão Preto, Santa Catarina e Salvador.
VÍDEO: manifestação hoje pela causa animal e por justiça pelo cão orelha.
Parque da redenção, Porto Alegre.
Muita gente aderiu a manifestação. pic.twitter.com/YWegBpumP1— Gabriel Wolkind (@GabrielWolkind) February 1, 2026
O caso de Orelha reabriu debates sobre os mecanismos de proteção a animais comunitários, termo usado para descrever cães e gatos que vivem em áreas públicas e recebem cuidados coletivos da vizinhança. As investigações seguem sob responsabilidade da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), que apura o envolvimento dos suspeitos.
O Ministério Público de Santa Catarina acompanha os desdobramentos do inquérito.
A Polícia Civil identificou quatro adolescentes suspeitos de envolvimento direto nas agressões que causaram a morte do cão Orelha. A localização dos investigados ocorreu a partir da análise de câmeras de segurança e de depoimentos coletados entre moradores da região da Praia Brava.
Uma nova linha de apuração também foi aberta. A corporação apura se houve tentativa de coação de testemunha por parte de um policial civil, pai de um dos adolescentes suspeitos. A delegada responsável pelo caso, Mardjoli Valcareggi, confirmou que a denúncia está sob análise, mas negou qualquer envolvimento direto de agentes públicos nas agressões.
Segundo Valcareggi, todos os possíveis envolvidos já foram identificados, e o inquérito segue com diligências em curso.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) acompanha o andamento da apuração por meio da 10ª Promotoria de Justiça da Capital, especializada em Infância e Juventude, e da 32ª Promotoria, com foco em Meio Ambiente. O órgão informou que diversas testemunhas já foram ouvidas e que novas oitivas estão agendadas.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), comentou o caso em publicação feita no domingo, 25, na rede social X. Segundo o chefe do Executivo estadual, a juíza inicialmente responsável declarou-se impedida, e o caso foi redistribuído para outro magistrado.
"A nossa Polícia Civil fez diligências, colheu provas e solicitou à Justiça mandados alguns dias após o início da investigação. As provas já estão no processo e me embrulharam o estômago", escreveu o governador.
Com a conclusão do inquérito, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina, que ficará responsável por avaliar os elementos reunidos, definir os encaminhamentos cabíveis e adotar as medidas previstas em lei.
Como os suspeitos são adolescentes, a apuração ocorre conforme as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece garantias específicas e procedimentos próprios para responsabilização de menores de idade em atos infracionais.
A Praia Brava possui três casinhas instaladas para abrigar cães que vivem na área e que, com o tempo, passaram a ser considerados mascotes pelos moradores. Orelha era um dos animais acolhidos por essa rede de cuidado coletivo, caracterizando o modelo de cão comunitário, que recebe alimentação, abrigo e atenção dos vizinhos e comerciantes locais.
A convivência de Orelha ia além dos laços com os moradores. O cão também interagia com outros animais do bairro, reforçando sua presença no cotidiano da comunidade.
Em nota divulgada na sexta-feira, a Associação de Moradores da Praia Brava destacou o papel afetivo de Orelha como símbolo de convivência e cuidado coletivo. A entidade também expressou apoio às investigações em andamento e cobrou medidas que garantam maior proteção aos animais da região.
"Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém muito querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que aqui vivem."