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Mais de 217 mil brasileiros pedem autoexclusão de sites de apostas

Ferramenta do governo permite bloqueio voluntário e impede publicidade direcionada

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 08h22.

Mais de 217 mil brasileiros solicitaram a autoexclusão de contas em sites de apostas em pouco mais de um mês de disponibilidade do serviço, segundo dados do Ministério da Fazenda.

O pedido é feito por uma ferramenta lançada pelo governo em dezembro, que permite que qualquer cidadão bloqueie voluntariamente o próprio acesso a sites de apostas e deixe de receber publicidade do setor por um período determinado.

Segundo a Secretaria de Prêmio e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, as solicitações foram feitas em 40 dias de funcionamento da Plataforma Centralizada de Autoexclusão.

O motivo mais frequente alegado por apostadores (37%) foi "Perda de controle sobre o jogo - saúde mental”, seguido por "Prevenir que meus dados sejam utilizados por plataformas de apostas” (25%). A maioria das autoexclusões (73%) é de período indeterminado, e 19% são pedidos de autobloqueio por um ano.

As empresas do setor já são obrigadas a oferecer mecanismos de autoexclusão em seus sites e aplicativos, mas a plataforma do governo possibilita que seja feito o bloqueio de todas as contas em sites. O sistema permite ainda que o CPF do solicitante fique indisponível para novos cadastros e para recebimento de publicidades direcionadas das bets.

Os dados fazem parte do balanço apresentado pela SPA sobre o primeiro ano do mercado regulado de apostas no Brasil. Mais de 25 mil sites ilegais foram bloqueados em 2025. Segundo a SPA, 25,2 milhões de brasileiros fizeram apostas nas 184 bets autorizadas a operar no país no ano passado. A maioria, 68,3%, são homens e 31,7%, mulheres.

Em relação às faixas etárias, o maior número de apostadores (28,6%) têm entre 31 e 40 anos. Os que têm de 18 a 24 anos somam 22,7%, mesmo percentual das pessoas entre 25 e 30 anos. O faturamento somou R$ 37 bilhões no acumulado de 2025 no saldo entre o valor recebido em apostas e os prêmios pagos — a receita bruta de jogos (GGR, na sigla em inglês). Dados do setor apontam a criação de 10 mil empregos diretos e 5,5 mil indiretos.

Este montante gerou a arrecadação de R$ 8,8 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, segundo a Receita Federal.

Fiscalização

No âmbito da SPA, a Subsecretaria de Monitoramento e Fiscalização registrou, no ano passado, 132 processos envolvendo 133 bets. Desses processos, 80 estão em trâmite para aplicação de penalidades.

O secretário de Prêmios e Apostas, Regis Dudena, diz que o governo projeta uma evolução da fiscalização neste ano, após o primeiro ano do mercado regulado em 2025.

“Desde a sua criação, a Secretaria vem passando por uma curva evolutiva consistente. Em 2024, estruturamos as regras do mercado; em 2025, avançamos no acompanhamento e na fiscalização, além de trabalharmos intensamente no combate aos ilegais. Em 2026, essas atividades devem seguir e se desenvolver ainda mais, para garantir a proteção das pessoas e da economia popular”, diz o secretário.

Ainda segundo os dados do governo, em parceria com o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (Conar), a SPA concluiu 412 processos de fiscalização de publicidade ilegal nas redes sociais contra influenciadores digitais, tendo como resultado a remoção de 324 perfis de influencers e 229 publicações.

*Com informações O Globo

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