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Lula deve procurar Alcolumbre e intensificar articulação por Messias

O presidente planeja distribuir cargos para senadores e buscar ministros do STF para diminuir resistência do Senado à indicação de Messias ao STF

Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, durante solenidade em Macapá (AP) (Ricardo Stuckert/PR)

Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, durante solenidade em Macapá (AP) (Ricardo Stuckert/PR)

Publicado em 29 de novembro de 2025 às 10h00.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve intensificar na próxima semana as articulações com os senadores para evitar uma derrota e conseguir maioria para aprovar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo dois interlocutores do petista ouvidos sob reserva pela Exame, o petista planeja fazer gestos políticos ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e demais integrantes do Senado que trabalhavam para que o escolhido fosse o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Uma das estratégias do Palácio do Planalto para conquistar votos envolve a distribuição de cargos estratégicos do governo federal para aliados de senadores. A ideia é diminuir a resistência de Alcolumbre, que deixou clara a irritação com a indicação de Messias em dois movimentos.

Em um deles, logo após o anúncio da escolha de Lula, ele levou à votação do plenário o projeto que estabelece uma aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e cria um custo aos cofres públicos não esperado pela equipe econômica. Na sequência, o presidente do Senado não compareceu à cerimônia de sanção do projeto que isentou pessoas com salários de até R$ 5 mil de pagar o Imposto de Renda.

Alcolumbre tem afirmado nos bastidores que Messias não tem votos para ser aprovado e que a tendência é que ele seja derrotado no plenário. A reclamação do senador e seus aliados é que todas as escolhas do presidente para o Supremo foram de nomes do seu círculo mais próximo e sem negociação com a Casa Legislativa responsável por sabatinar e avalizar a indicação. O primeiro foi Cristiano Zanin, advogado criminal de Lula na Lava Jato, e o segundo, Flávio Dino, então ministro da Justiça.

Pessoas próximas a Lula, no entanto, afirmam que ele deve procurar Alcolumbre nos próximos dias para distensionar a relação e facilitar a articulação em prol de Messias. Apesar da pressão e de cálculos pessimistas sobre o apoio ao advogado-geral da União, integrantes do Palácio do Planalto mantêm o otimismo por uma série de fatores.

Primeiro, lembram que a última reprovação pelo Senado de um indicado para a corte foi 131 anos atrás no governo de Floriano Peixoto. Segundo, consideram natural a pressão e lembram que, na hora da votação, é inevitável, por parte dos senadores contrários, o temor de que o nome acabe aprovado e, com isso, fique de herança a animosidade com um membro do tribunal mais poderoso do país.

Intelocutores da cúpula do Senado ouvidos pela Exame afirmam que cargos como a presidência do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste são cobiçados por senadores influentes e poderiam destravar as negociações. Da mesma forma, o plano é pressionar para que o Senado tenha mais poder nas negociações para indicações em agências reguladoras e órgãos como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Ajuda de ministros do STF

Enquanto Lula espera para entrar em campo e avançar nas articulações, Messias já iniciou a peregrinação por gabinetes de senadores e conquistou o apoio dos ministros do STF André Mendonça e Kassio Nunes Marques, nomeados por Bolsonaro para o Supremo. Os magistrados já entraram em contato com parlamentares e estão empenhados em viabilizar a aprovação de Messias.

O movimento de Kassio era esperado pelo perfil do magistrado, que mantém boa relação com integrantes do governo Lula, é próximo do mundo político e costuma participar de articulações importantes que envolvem o Supremo. Mendonça, por sua vez, tem em comum com o advogado-geral da União a religião evangélica e é visto como potencial aliado em pautas conservadoras dentro do STF. A proximidade dos dois ficou clara em um culto realizado na semana em que foi anunciada sua indicação ao STF.

Messias ainda trabalha, no entanto, para obter o apoio de outros dois ministros influentes da corte: Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Ambos ainda não fizeram sinalizações favoráveis, mas também devem ser procurados por Lula nos próximos dias em busca de ajuda para pavimentar a aprovação no Senado. A sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça está marcada para o dia 10.

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