Lula critica orçamento secreto em discurso na Bahia

O petista participou de um ato político em Salvador (BA), que celebrou o Dia da Independência do Estado
 (NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)
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Estadão ConteúdoPublicado em 02/07/2022 às 17:47.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato ao Palácio do Planalto, voltou a criticar neste sábado, 2, o orçamento secreto e sugeriu que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que concede uma série de benefícios sociais às vésperas da eleição não dará votos ao presidente Jair Bolsonaro (PL) na Bahia. O petista participou de um ato político em Salvador (BA), que celebrou o Dia da Independência do Estado.

"Nós precisamos eleger uma grande bancada no Senado e nós precisamos eleger uma grande bancada na Câmara, porque, se a gente não tiver muitos deputados e a gente não acabar com o orçamento secreto, será muito difícil eu e o Alckmin fazermos o que nós precisamos fazer neste País", declarou Lula.

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O ex-presidente costuma dizer que vai acabar com as emendas de relator, mecanismo central do orçamento secreto. No entanto, num movimento do Congresso para manter controle sobre a destinação de recursos, foi aprovado nesta semana, na Comissão Mista de Orçamento (CMO), o relatório final da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023 com um dispositivo que torna as emendas de relator impositivas, ou seja, obrigatórias.

Revelado pelo Estadão no ano passado, o orçamento secreto é usado pelo governo Bolsonaro e seus aliados no Congresso para distribuir verbas sem transparência e critérios como forma de conseguir apoio para votações no plenário.

PEC Eleitoral

Lula afirmou que os beneficiários da Proposta de Emenda à Constituição que turbina gastos do governo federal e distribui R$ 41,2 bilhões antes das eleições deveriam "pegar todo o dinheiro" e não votar no presidente Jair Bolsonaro (PL) em outubro.

"Eu queria dizer para ele (Bolsonaro) o que o povo baiano está dizendo para ele: 'Bolsonaro, aprove as suas leis, porque a gente vai pegar todo o dinheiro que você mandar, mas a gente não vai votar em você. A gente vai votar em outras pessoas'. Porque o dinheiro que ele está dando agora é só até dezembro", afirmou o petista em discurso nos festejos da Independência do Brasil na Bahia, em Salvador.

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A festa de 2 de julho é um tradicional termômetro da popularidade para candidatos em ano eleitoral. Além do petista, outros três presidenciáveis participaram de atos em Salvador, a poucos quilômetros uns dos outros.

Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) participaram da tradicional Caminhada do Largo da Lapinha e se encontraram no trajeto, saudando a democracia e o respeito durante as eleições. Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, participou de uma motociata pelas ruas da orla de Salvador, além de criticar governadores do Nordeste por serem contra o teto do ICMS.

Aprovada na quinta-feira, 30, com amplo apoio da oposição no Senado, inclusive a bancada do PT - apenas o senador José Serra (PSDB-SP) votou contra -, a PEC mencionada por Lula foi a resposta do governo federal à disparada dos combustíveis. O texto prevê auxílio-gasolina de R$ 200 por mês a taxistas, destinação de R$ 500 milhões ao programa Alimenta Brasil, um aumento no Bolsa Família de R$ 400 para R$ 600 até o final do ano e uma "bolsa-caminhoneiro" de R$ 1 mil por mês.

Segundo apuração do Estadão/Broadcast, o ministro da Economia, Paulo Guedes, que anteriormente havia batizado a Emenda de "PEC Kamikaze", deu aval às medidas, em articulação que envolveu o senador Flávio Bolsonaro, líder do PL no Senado, e o próprio presidente da República.