Brasil

IOF: Moraes suspende atos do governo e do Congresso sobre imposto e convoca conciliação

Na decisão, o relator das ações que tratam do tema convocou uma audiência de conciliação entre os Poderes

Moraes: ministro pediu conciliação entre os Poderes (Carlos Moura/SCO/STF/Flickr)

Moraes: ministro pediu conciliação entre os Poderes (Carlos Moura/SCO/STF/Flickr)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 4 de julho de 2025 às 10h38.

Última atualização em 4 de julho de 2025 às 11h08.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, suspendeu nesta sexta-feira, 4, o decreto do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que aumentava as alíquotas do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) e o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) aprovado pelo Congresso que derrubou a medida do governo.

Na decisão, o relator das ações que tratam do tema afirmou que "esse indesejável embate entre as medidas do Executivo e Legislativo" contraria o artigo 2º da Constituição Federal, que determina a independência e harmonia entre os poderes.

O magistrado disse ainda que, após uma análise inicial, tanto os decretos presidenciais, devido à dúvida sobre um possível desvio de finalidade, quanto o decreto legislativo, por se suspender um ato presidencial autônomo, parecem não atender aos requisitos constitucionais exigidos para esses tipos de normas.

"Diante de todo o exposto, em cognição sumária, verifica-se que tanto os decretos presidenciais, por séria e fundada dúvida sobre eventual desvio de finalidade para sua edição, quanto o decreto legislativo, por incidir em decreto autônomo presidencial, aparentam distanciar-se dos pressupostos constitucionais exigidos para ambos os gêneros normativos", afirmou Moraes.

Moraes convocou uma audiência de conciliação entre os Poderes. A audiência será realizada no dia 15 de julho, às 15h, na sala de audiência do Supremo Tribunal Federal.

As presidências da República, Câmara dos Deputados, Senado, a Procuradoria-Geral da República, a Advocacia-Geral da União foram intimidas para participar da reunião.

Moraes afirma que após a audiência de conciliação, será analisada a necessidade de manutenção da medida liminar determinada nesta sexta-feira.

O ministro é relator de três ações sobre o caso, movidas pelo Partido Liberal (PL), PSOL, e pelo governo federal, por meio da Advocacia-Geral da União.

Crise entre governo e Congresso

A crise entre o governo e Congresso se intensificou após os parlamentares derrubarem um decreto presidencial pela primeira vez em 33 anos e anularem os aumentos do IOF.

A expectativa do Ministério da Fazenda era arrecadar R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 20 bilhões em 2026 com as mudanças no IOF.

Após a votação, o governo decidiu entrar no STF para questionar a sustação da medida.

Em meio ao tensionamento das relações, ganhou força nas redes sociais um movimento crítico aos parlamentares e que pede a taxação dos super-ricos, segundo dados da consultoria Nexus.

Entre os principais termos estão "Congresso da Mamata", com 502 mil citações, "Agora é a vez do povo", com 184 mil menções, "Hugo Motta Traidor", com 238 mil, e "Congresso Inimigo do Povo", com 408 mil.

Como fica o IOF agora com a decisão de Moraes?

A decisão do magistrado suspendeu o decreto do governo que aumentava o IOF e o PDL que suspendia a decisão da União. Com isso, as alíquotas se mantém como eram antes dos decretos do governo. O IOF incide em diversas transações, como compra de moeda estrangeira, aportes em previdência privada, crédito para empresas, dentre outras.

Acompanhe tudo sobre:Alexandre de MoraesIOF

Mais de Brasil

Relator no TSE vota pela absolvição do senador Jorge Seif, acusado de abuso de poder econômico

Câmara aprova urgência de projeto que cria incentivos para instalação de data centers no Brasil

Crescimento anual de 20% nos gastos públicos exigirá ajuste fiscal, diz Mansueto

Novo aciona TSE contra Lula por desfile da Acadêmicos de Niterói