Brasil

Inflação deve convergir para meta, diz Tombini

Presidente do BC espera que inflação se aproxime do centro da meta no próximo trimestre, mas prevê alta para o ano

Tombini defendeu o uso da taxa Selic no combate à inflação (Agência Brasil)

Tombini defendeu o uso da taxa Selic no combate à inflação (Agência Brasil)

DR

Da Redação

Publicado em 22 de março de 2011 às 13h01.

Brasília - O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, previu hoje que, no segundo trimestre deste ano, a inflação mensal tende a se deslocar para uma trajetória compatível para o centro da meta de inflação no Brasil, de 4,5%. Em 12 meses, no entanto, destacou Tombini, a inflação deve seguir em alta por mais tempo. O presidente do BC participa hoje de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Tombini destacou que isso se deve a fatores estatísticos e também a efeitos da inércia inflacionária, decorrente da inflação elevada verificada no último trimestre do ano passado. Na audiência, ele afirmou ainda que o BC tem responsabilidade, no curto prazo, para evitar que a inflação permaneça em um horizonte mais longo. Por isso, a necessidade de ações convencionais de política econômica, que resultaram no aumento de 1 ponto porcentual da Selic (a taxa básica de juros da economia) nas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

Tombini afirmou, em seu discurso na CAE, que a Selic é um instrumento poderoso de combate à inflação. Segundo ele, o impacto da Selic se dá por meio de múltiplos canais, como o crédito e o adiamento do consumo para se fazer poupança, entre outros.

O efeito da política monetária sobre a inflação ocorre de forma defasada, em cerca de nove meses, acrescentou Tombini. "A experiência mostra que os ciclos de aperto e afrouxamento da política monetária têm impacto na demanda agregada e, consequentemente, na inflação", disse.

O presidente do BC também destacou que as medidas macroprudenciais podem ajudar a potencializar os efeitos da política monetária, na medida em que inibem alongamento de prazos de financiamento para compensar a alta de juros, prática que vinha sendo bastante utilizada pelos bancos.

Dívida pública

Tombini afirmou ainda que o impacto da taxa básica de juros sobre a dívida pública é um fenômeno que ocorre em todo o mundo. Ele disse, porém, que uma política monetária frouxa, que não tenha consistência com o quadro econômico e busque reduzir os juros apenas para diminuir o custo da dívida pública, é contraproducente, porque os investidores ficariam desconfiados e pediriam prêmios maiores para financiar a dívida pública com títulos prefixados ou atrelados a índices de preços.

Acompanhe tudo sobre:PersonalidadesMercado financeiroInflaçãoBanco CentralEconomistasAlexandre Tombini

Mais de Brasil

Chuva forte deixa mais de 100 mil imóveis sem energia em São Paulo

Anvisa anuncia proibição de suplementos da empresa Livs Brasil

Morte do cão Orelha mobiliza protestos pelo Brasil

Defesa Civil emite alerta de chuva forte e granizo em São Paulo neste domingo