Incêndios no Pantanal em setembro já são os piores da história

Em evento nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro disse que "o Brasil está de parabéns" por sua política ambiental

O mês de setembro nem acabou, mas já há mais focos de incêndio no Pantanal do que já houve em qualquer período medido nos registros brasileiros.

Segundo os números do Inpe, foram 5.603 registros de focos de incêndio no Pantanal até 16 de setembro, ainda que o período seja só metade do mês. O recorde anterior para o mês de setembro era de 2007, quando, no mês todo, foram registrados 5.498 focos.

Os focos de queimada neste mês já são mais que o dobro de tudo que foi registrado em setembro de 2019. Não só no ano passado: setembro de 2020 já está em mais de 180% acima da média histórica para este período, o que mostra que as queimadas deste ano estão realmente fora do controle, para além e uma questão de incêndios mais intensos nesta época do ano.

O ano de 2020, mesmo antes de acabar, também já superou em 26% o ano recorde em focos de incêndio, que era de 2005.

 

Na quarta-feira, 16, o presidente Jair Bolsonaro e o vice Hamilton Mourão fizeram manifestações sobre o Pantanal e afirmaram que a situação não é tão séria. Bolsonaro afirmou que as críticas sobre as queimadas são “desproporcionais” e que a Califórnia também “está ardendo em fogo”.

Sem apresentar provas ou indícios, Bolsonaro disse a apoiadores que o esperavam na porta do Palácio da Alvorada na noite de quarta-feira que ONGs colocaram “laranjas” na Amazônia para atrapalhar o processo de regularização fundiária iniciado pelo governo.

Hoje, em inauguração na Paraíba, Bolsonaro voltou a defender a política ambiental brasileira. “O Brasil é o país que mais preserva o meio-ambiente e o país que mais sofre ataques vindos de fora no tocante ao seu meio-ambiente”, disse no evento. “O Brasil está de parabéns pela maneira como preserva esse seu meio-ambiente.”

O vice-presidente Hamilton Mourão, que tem se tornado um dos porta-vozes sobre ações ambientais brasileiras e está à frente do Conselho da Amazônia, disse que as queimadas foram porque os brigadistas tiraram folga durante o feriado de 7 de setembro.

Ao responder sobre a carta que recebeu de oito países europeus ontem pedindo ações brasileiras contra as queimadas e o desmatamento, Mourão se limitou a dizer que esses são “interesses comerciais” dos europeus.

“Isso não são investidores. São países. Vocês têm que entender o seguinte: faz parte da estratégia comercial dos países europeus esta questão da cadeia de suprimentos. Isso é uma barreira”, disse. “Existem barreiras tarifárias e não tarifárias, então, isso daí a gente tem que fazer a negociação não só comercial, mas diplomática, como ambiental também”, disse.

Um grupo com mais de 200 empresas e ONGs, incluindo nomes brasileiros como JBS e Marfrig, também enviou carta ao governo propondo medidas contra a devastação. Uma das preocupações é que as queimadas atrapalhem a reputação de empresas brasileiras no exterior. Nos últimos meses, o vice-presidente se reuniu pelo menos duas vezes com empresários e fundos de investimento para dar explicações sobre as queimadas brasileiras.

As tentativas de apagar o incêndio no Pantanal estão tendo ajuda de voluntários, incluindo empreendedores e trabalhadores que atuam no ecoturismo na região. Mas as perspectivas para controlar o fogo ainda são poucas. O governo anunciou hoje que vai liberar 10 bilhões de reais ao combate de incêndios.

A esperança é que haja chuva em breve, o que poderia ajudar os brigadistas no controle das chamas. A falta de água é um dos problemas que ajudou a espalhar as chamas geradas por ação humana, com o Pantanal sofrendo sua maior seca em décadas.

As queimadas já destruíram 15% do Pantanal, uma área equivalente à cidade de Nova York, e especialistas afirmam que os danos podem ser irreversíveis.

Uma das piores consequências é no Parque Estadual Encontro das Águas, em que 85% do território já foi destruído. O parque é refúgio de onças-pintadas, uma espécie tradicional do Pantanal, e fotos de onças queimadas ou feridas pelo incêndio levaram a protestos e comoção nas redes sociais.

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