Brasil

Governo recorre a Levy para ajudar Petrobras, dizem fontes

O ministro da Fazenda foi acionado por Dilma Rousseff para encontrar solução para o balanço contábil da Petrobras, segundo fontes


	O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy: especialista em contas públicas, Levy foi chamado para encontrar uma fórmula, diz fonte
 (Ueslei Marcelino/Reuters)

O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy: especialista em contas públicas, Levy foi chamado para encontrar uma fórmula, diz fonte (Ueslei Marcelino/Reuters)

DR

Da Redação

Publicado em 3 de fevereiro de 2015 às 19h52.

Brasília - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi acionado pela presidente Dilma Rousseff para encontrar uma solução para o balanço contábil da Petrobras, para que a metodologia adotada seja aceita pelos órgão de controle do mercado de ações, disseram à Reuters duas fontes nesta terça-feira.

"Ele (Levy) entende dessa coisa e está debruçado sobre isso", afirmou à Reuters um parlamentar com conhecimento do assunto, sob condição de anonimato.

A Petrobras anunciou o balanço não auditado do terceiro trimestre na semana passada, em um anúncio que não incluiu nenhuma baixa contábil relacionada às denúncias de corrupção da Operação Lava Jato, em meio à dificuldade de se estabelecer valores incontestáveis enquanto o processo ainda corre na Justiça.

Especialista em contas públicas, Levy, ex-secretário do Tesouro, foi chamado para encontrar uma fórmula na medida em que a situação da Petrobras também impacta o governo.

O escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras já afetou as emissões externas do Brasil este ano, disse separadamente à Reuters nesta terça-feira uma fonte da equipe econômica com conhecimento do assunto.

Uma segunda fonte do governo confirmou que Levy foi escalado para ajudar com o tema. "Ele participa de um esforço para que uma metodologia seja pactuada entre os órgão reguladores de mercado de ações", disse a fonte, sob condição de anonimato, indicando a preocupação do governo em ter um balanço que seja aprovado pela SEC, dos Estados Unidos, e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

"Não há uma metodologia reconhecida mundialmente para dar baixa no balanço de ativos fraudados", explicou a fonte, que não negou que nessas conversas o ministro da Fazenda também esteja prospectando nomes para atuar na diretoria e no Conselho de Administração da Petrobras.

Desde a semana passada, quando a Petrobras divulgou seu balanço não auditado e sem as baixas contábeis dos ativos e contratos que teriam sido alvo de corrupção, havia uma grande preocupação do governo sobre qual metodologia adotar para evitar processos da SEC e da CVM. Isso inclusive, segundo uma fonte do Palácio do Planalto ouvida pela Reuters na semana passada, teria impedido a aprovação do balanço não auditado com as baixas contábeis.

Saída de Graça

No Palácio do Planalto, a divulgação do balanço sem as baixas contábeis dos contratos que são alvo da operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga o escândalo bilionário de corrupção na estatal, enfraqueceu a posição da presidente da companhia, Maria das Graças Foster. Um auxiliar presidencial disse à Reuters nesta terça, sob condição de anonimato, que a divulgação foi considerada "uma trapalhada".

"A falta de comunicação e clareza na divulgação piorou ainda mais a situação da empresa", disse a fonte. Nesta terça, Graça Foster, como prefere ser chamada, reuniu-se com Dilma, o que deu margem a rumores sobre a troca no comando da estatal e impulsionou suas ações.

A fonte do governo, que falou sobre a ajuda de Levy com o balanço da companhia, disse que Graça "não deixa a Petrobras hoje (terça)". A fonte avaliou ainda que dificilmente haverá troca no comando da estatal até que o balanço contábil auditado seja aprovado pelo Conselho da Petrobras.

Os resultados, que deveriam ter sido conhecidos em novembro, tiveram sua publicação adiada após o auditor PricewaterhouseCoopers ter se recusado a aprovar as contas da petroleira devido às denúncias de corrupção envolvendo a estatal e algumas das maiores empreiteiras do Brasil.

Na semana passada, a presidente da Petrobras disse no balanço que a empresa concluiu "ser impraticável a exata quantificação destes valores indevidamente reconhecidos, dado que os pagamentos foram efetuados por fornecedores externos e não podem ser rastreados nos registros contábeis da companhia".

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Thomas Traumann, afirmou nesta terça-feira a jornalistas que uma eventual saída de Graças Foster da presidência da Petrobras não foi decidida em reunião nesta tarde com a presidente Dilma Rousseff.

Acompanhe tudo sobre:EmpresasDilma RousseffPersonalidadesPolíticosPolíticos brasileirosPT – Partido dos TrabalhadoresPolítica no BrasilEmpresas abertasEmpresas brasileirasEstatais brasileirasEmpresas estataisPetrobrasCapitalização da PetrobrasPetróleoGás e combustíveisIndústria do petróleoOperação Lava JatoJoaquim Levy

Mais de Brasil

Moraes abre inquérito para investigar vazamento de dados de ministros do STF

SP faz operação contra ingressos falsos para shows do Iron Maiden

Cracolândia acabou e não vai voltar, diz vice-governador de SP

Acordo Mercosul–UE deve entrar em vigor no segundo semestre, diz Alckmin