Brasil

Governo Lula avalia corte de impostos para conter alta das passagens aéreas

Pacote inclui redução de tributos sobre combustível e leasing de aeronaves

Publicado em 31 de março de 2026 às 06h51.

Última atualização em 31 de março de 2026 às 10h18.

O governo Lula prepara medidas para conter o impacto da alta do querosene de aviação (QAV) sobre o preço das passagens aéreas, diante da pressão recente nos custos do setor.

Entre as propostas em análise estão zerar o IOF sobre empresas aéreas, reduzir alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível e diminuir o Imposto de Renda incidente sobre o leasing de aeronaves.

O pacote foi encaminhado pelo Ministério de Portos e Aeroportos ao Ministério da Fazenda na semana passada e recebeu sinalização positiva para avaliação, especialmente diante da escalada recente do QAV.

Alta do combustível pressiona setor aéreo

A Vibra Energia anunciou que repassará o reajuste de 54,63% no preço do querosene de aviação a partir de 1º de abril, movimento atribuído à crise geopolítica no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo.

Em nota, a Vibra afirma que "Aa partir de 1º de abril de 2026, irá repassar o reajuste do preço do QAV aplicado pela Petrobras".

Apesar de ser produtor relevante, o Brasil ainda importa cerca de 20% da demanda doméstica de QAV, o que aumenta a exposição a variações externas.

A Vibra controla a BR Aviation, responsável pelo abastecimento de cerca de 60% das aeronaves em aproximadamente 90 aeroportos do país. Integrantes do governo têm criticado a empresa pelo reajuste, destacando que a companhia foi privatizada na gestão anterior.

Impacto direto nas passagens e na oferta de voos

O combustível representa cerca de 30% dos custos das companhias aéreas. Com margens de lucro inferiores a 4% no cenário global, o aumento tende a ser repassado ao consumidor final.

Além da alta nas tarifas, o encarecimento do QAV pode reduzir a oferta de voos, especialmente em rotas menos rentáveis e em regiões afastadas dos grandes centros.

O Ministério de Portos e Aeroportos afirma que não pretende adotar subsídios ao combustível, mas sim corrigir distorções estruturais do setor.

A proposta, segundo a pasta, busca reduzir a vulnerabilidade da aviação civil a choques internacionais, considerando o papel estratégico do setor para a integração territorial e o desenvolvimento econômico do país.

*Com O Globo

Acompanhe tudo sobre:ImpostosGoverno Lula

Mais de Brasil

Carne, minerais críticos e Mercosul: Coreia do Sul anuncia acordos com o Brasil

Zema defende impeachment de três ministros do STF e diz que vai indultar Bolsonaro

Campanha de Flávio pode ser punida por vídeo de IA com Jair Bolsonaro? Especialistas analisam

SP avança em plano para permitir circulação de 'carro voador' na cidade