Repórter
Publicado em 31 de março de 2026 às 05h03.
Os preços do petróleo podem atingir a marca de US$ 200 por barril caso o conflito no Irã se prolongue até o fim de junho. A informação veio de estrategistas do grupo financeiro Macquarie.
Em nota enviada a clientes, os analistas afirmaram que, se a guerra se estender pelos próximos meses, será necessário elevar os preços a níveis capazes de “destruir uma quantidade historicamente grande da demanda global de petróleo”. Isso significaria o barril de Brent acima de US$ 200 e a gasolina nos Estados Unidos em torno de US$ 7 por galão, uma péssima notícia para o presidente Donald Trump, que enfrenta uma eleição de meio de mandato em novembro.
Durante os primeiros meses da guerra, tanto o petróleo quanto a gasolina já haviam alcançado patamares não vistos desde o início de 2022, quando começou a invasão da Ucrânia pela Rússia.
O cenário mais extremo, segundo os estrategistas liderados por Vikas Dwivedi, tem cerca de 40% de probabilidade de acontecer. A aposta mais forte é que o conflito termine até abril, permitindo uma moderação nos preços e impactos econômicos relativamente pequenos, com apenas uma leve desaceleração do crescimento global.
Caso se concretize, o preço do barril ultrapassaria em muito o recorde de 2008, quando o Brent chegou a US$ 147,50.Nesta segunda-feira, 30, o Brent com vencimento em junho avançou 1,96%, a US$ 107,39 por barril. Já a referência nos Estados Unidos, o WTI, com o contrato para maio subindo 3,25%, encerrando a US$ 102,88 por barril, marcando o primeiro fechamento acima de US$ 100 desde julho de 2022 e renovando as máximas pela segunda sessão consecutiva.
O Brent subiu cerca de 55%, o que representa um recorde histórico mensal, superando o avanço de 46% registrado em setembro de 1990, durante a Guerra do Golfo. O WTI também acumula alta próxima de 53% no período.
Apesar da expectativa de que o presidente Donald Trump declare vitória em breve, os analistas alertam que a incerteza sobre o que significaria esse desfecho, somada aos recentes ataques contra infraestrutura energética iraniana, pode forçar uma escalada ainda maior nos preços para viabilizar um acordo de curto prazo.
Outros especialistas também projetam alta. Líderes do setor energético da Arábia Saudita estimam que o barril pode alcançar US$ 180 se o conflito persistir até o fim de abril. Já o CEO da United Airlines, Scott Kirby, afirmou em comunicado interno que a empresa trabalha com a projeção de US$ 175 por barril, com preços só voltando à faixa de US$ 100 em 2027.
Kirby destacou que o custo do querosene de aviação já dobrou, o que pode representar US$ 11 bilhões adicionais por ano em despesas para a companhia.
Em conferência da S&P Global, Dave Ernsberger, chefe da divisão de energia, disse ao Yahoo Finance que, caso a guerra continue, o mercado pode “facilmente ver o barril a US$ 200 ou até US$ 250”.