Brasil

Governo aperta regras de investimento de fundos de pensão de servidores

Nova regra prevê atribuições de órgãos como comitê de investimentos e conselho fiscal, exige responsável técnico qualificado e credenciamento obrigatório para administradores

Haddad Ministério da Fazenda (Diogo Zacarias/MF/Divulgação)

Haddad Ministério da Fazenda (Diogo Zacarias/MF/Divulgação)

Publicado em 19 de dezembro de 2025 às 10h35.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou na quinta-feira, 18, uma resolução que aperta as regras para investimentos de fundos de pensão de servidores públicos da União, dos estados e dos municípios.

A norma atinge os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e entra em vigor em 2 de fevereiro, com período de adaptação das políticas de investimento.

As mudanças ocorrem após virem à tona investimentos de diversos RPPS no Banco Master. Segundo o Ministério da Fazenda, no entanto, a resolução tem como objetivo adequar a regulação ao novo marco dos fundos de investimento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Antes da aprovação, a proposta foi discutida em um grupo de trabalho coordenado pelo Ministério da Previdência Social, com participação de entidades representativas do setor.

"Considerando que esses regimes administram aproximadamente R$ 365 bilhões em investimentos, a regra busca promover maior eficiência e segurança na gestão das aplicações dos RPPS, incentivando boas práticas de governança e conferindo maior proteção a seus beneficiários, que representam cerca de 5,1 milhões de servidores ativos e 4,2 milhões de aposentados e pensionistas", diz a Fazenda, em nota.

Governança e limites de alocação

Com a nova norma, são introduzidos aprimoramentos na governança, com destaque para a vinculação dos limites de alocação aos níveis de certificação do Pró-Gestão RPPS. O programa atesta a qualidade da gestão dos regimes em áreas como controles internos, governança corporativa e educação previdenciária.

“Essa medida funciona como um incentivo ao fortalecimento da estrutura de gestão dos RPPS e à busca por níveis mais elevados de certificação, na medida em que condiciona o acesso a ativos de maior risco e sofisticação ao grau de maturidade institucional atingido”, afirma em nota Fernando Rieche, coordenador-geral de Reformas Microeconômicas e Mercado de Capitais do Ministério da Fazenda.

A resolução também reforça a governança institucional, com a definição clara das atribuições de órgãos como comitê de investimentos e conselho fiscal. Além disso, passa a exigir responsável técnico qualificado e credenciamento obrigatório para administradores, gestores e distribuidores de fundos.

Gestão de riscos e sustentabilidade

Segundo a Fazenda, a nova regra fortalece a gestão de riscos, amplia a transparência sobre remunerações e registros de transações e estabelece vedações expressas a determinados tipos de investimentos. Também foram aprimorados os padrões relacionados à intermediação, além de limites de alocação por emissores e de concentração no patrimônio líquido dos fundos.

A norma ainda introduz a necessidade de observância de aspectos ligados à sustentabilidade ambiental e social das carteiras, bem como a avaliação e a transparência sobre os impactos desses investimentos para a sociedade.

“Essas mudanças representam um importante incentivo ao aprimoramento da governança dos RPPS, promovendo uma maior proteção aos beneficiários e a sustentabilidade dos regimes previdenciários”, afirma o ministério.

*Com informações do Globo

Acompanhe tudo sobre:Servidores públicos

Mais de Brasil

Paes e Ceciliano trocam farpas em disputa ao governo do Rio

Moraes suspende parte das regras para operação de motoapps em São Paulo

Fim dos orelhões no Brasil? Número de aparelhos caiu 81% em 5 anos

Os 10 carros mais roubados em São Paulo