Flávio Bolsonaro: candidato à presidência deve participar de audiência nos EUA (Saulo Cruz/Agência Senado)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 23 de junho de 2026 às 08h37.
Última atualização em 24 de junho de 2026 às 09h29.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, se inscreveu na segunda-feira, 22, último dia do prazo, para discursar pessoalmente em uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre a proposta de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
A audiência está marcada para 6 de julho, em Washington.
Na solicitação enviada ao USTR, Flávio pediu cinco minutos para falar presencialmente, na condição de senador e pré-candidato à Presidência.
Vou defender os interesses do povo brasileiro!
Vou fazer a minha parte para evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais taxadas do que já são com o governo lula.
Como era de se esperar, lula não move uma palha para evitar que elas sejam tarifadas.
E a razão é muito… https://t.co/nNnnpLCkqj
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) June 23, 2026
Em publicação feita após a inscrição, Flávio afirmou que vai "defender os interesses do povo brasileiro" e tentar evitar que empresas do país sejam "ainda mais taxadas".
Ele atribuiu a responsabilidade pela tarifa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dizendo que o petista "não move uma palha" para evitar a medida porque ela poderia beneficiá-lo eleitoralmente em outubro.
Segundo o jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, que também se inscreveu para participar da audiência, Flávio pretende pedir a suspensão da tarifa e defender uma "negociação de boa-fé" entre os dois países.
Figueiredo afirmou ainda que o senador vai defender o sistema brasileiro de pagamentos Pix, argumentando que ele beneficia empresas americanas que investem no Brasil, com apresentação de um relatório técnico.
Além de Flávio e Figueiredo, outras 24 pessoas se inscreveram para discursar presencialmente na audiência, segundo o USTR. O prazo para inscrição de manifestações por escrito segue aberto até 1º de julho.
A decisão final do governo americano sobre a tarifa precisa ser tomada até 15 de julho, segundo a Agência Brasil.
A investigação que resultou na proposta de tarifa começou em 15 de julho de 2025, por determinação de Trump, sob a Seção 301 da legislação comercial americana — instrumento que permite ao governo dos EUA impor medidas unilaterais contra práticas de outros países consideradas discriminatórias ou prejudiciais ao comércio americano.
Segundo o embaixador americano Jamieson Greer, representante de comércio dos EUA, a apuração já ouviu mais de 30 testemunhas e recebeu quase 300 manifestações.
Entre as práticas citadas pelos americanos estão políticas de comércio digital, decisões judiciais brasileiras que determinaram remoção de conteúdo e suspensão de perfis em redes sociais, além de regras relacionadas ao sistema Pix, que o governo americano considera prejudiciais a concorrentes dos Estados Unidos no setor de pagamentos eletrônicos.
Produtos como carne bovina, café, terras raras e peças de aeronaves estão excluídos da proposta de tarifa.