(Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Repórter
Publicado em 3 de novembro de 2026 às 19h43.
Última atualização em 3 de novembro de 2026 às 20h06.
O Senado aprovou nesta terça-feira, 3, em dois turnos, a PEC da Segurança Pública, prioridade do governo Lula; o texto segue para promulgação sem a redução da maioridade penal. A proposta inclui o Sistema Único de Segurança Pública na Constituição, autoriza polícias municipais e endurece regras para facções e milícias. Também amplia atribuições da Polícia Rodoviária Federal e prevê repasses obrigatórios a estados e municípios.
Uma das prioridades do governo Lula, o Senado aprovou nesta terça-feira, 3, em dois turnos, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública. O texto, que agora segue para promulgação, foi votado sem a inclusão da redução da maioridade penal, tema que provocou divergências às vésperas do segundo turno presidencial.
Antes da votação do texto-base, os senadores decidiram votar a proposta sem apreciar os destaques, apesentados pelo pelo PT e pelo PL, que tratavam da redução da maioridade penal.
A proposta estabelece mudanças na organização e no financiamento da segurança pública no país. Entre os principais pontos estão o fortalecimento da integração entre as forças policiais, o endurecimento das regras para integrantes de facções criminosas e milícias e a possibilidade de criação de polícias municipais.
Um dos principais objetivos da proposta é incluir na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), com alterações no artigo 144 da Carta Magna, que trata do tema.
Pelo texto, a segurança pública deverá funcionar em regime de cooperação entre os entes federativos, com atuação integrada e descentralizada das instituições responsáveis pela área.
O novo artigo 144-A estabelece que os órgãos de segurança deverão atuar de forma articulada por meio do Susp, com o objetivo de garantir eficiência na prevenção de crimes, na persecução penal e na execução das penas.
A PEC também prevê o endurecimento das regras para integrantes de facções criminosas e milícias. Entre as medidas estão penas mais severas para as lideranças dessas organizações e restrições ou proibições à progressão de regime prisional.
Com isso, chefes desses grupos poderão ser obrigados a cumprir pena em unidades de segurança máxima.
O texto ainda prevê medidas para atingir o patrimônio obtido com atividades criminosas, responsabilizar pessoas jurídicas envolvidas e proteger denunciantes e seus familiares.
Outro ponto da proposta é a possibilidade de criação de polícias municipais de natureza civil. Os novos órgãos poderão realizar policiamento ostensivo e comunitário nas cidades em que forem instituídos e ficarão sujeitos ao controle externo do Ministério Público.
A PEC também amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e prevê a criação do Sistema de Políticas Penais, responsável pela organização do sistema prisional brasileiro.
Além disso, União, estados e municípios poderão atuar conjuntamente na elaboração de leis sobre segurança pública, organização das polícias, guardas municipais e sistema socioeducativo.
A proposta também estabelece mudanças na distribuição de recursos destinados à área. Pelo texto, 50% dos valores do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) deverão ser repassados pela União a estados e municípios. No caso do Funpen, serão excluídas as despesas de custeio e investimento da polícia penitenciária nacional.
O relator da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Rogério Carvalho (PT-SE), afirmou que as mudanças buscam dar maior previsibilidade ao financiamento das políticas de segurança.
“As regras de financiamento fortalecem o FNSP e o Funpen, criam vinculações e blindagens orçamentárias e garantem repasses obrigatórios. Essas medidas aumentam a previsibilidade financeira, garantindo a perenidade das ações policiais”, escreveu o senador.
A PEC também destina 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, ligado ao pré-sal, aos fundos de segurança pública. Segundo o texto, a medida busca reforçar o financiamento contínuo das políticas nacionais de segurança pública e execução penal.
A PEC inclui o Sistema Único de Segurança Pública na Constituição e estabelece a cooperação entre União, estados e municípios. O texto também autoriza polícias municipais, amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal e endurece regras para facções criminosas e milícias.
Não. O Senado aprovou a PEC da Segurança Pública sem analisar os destaques apresentados pelo PT e pelo PL sobre a redução da maioridade penal.
As polícias municipais terão natureza civil e poderão realizar policiamento ostensivo e comunitário nas cidades em que forem criadas. Segundo o texto, esses órgãos ficarão sujeitos ao controle externo do Ministério Público.
A PEC prevê penas mais severas para lideranças, restrições ou proibições à progressão de regime e cumprimento de pena em unidades de segurança máxima. O texto também estabelece medidas contra o patrimônio obtido com crimes, responsabilização de pessoas jurídicas e proteção a denunciantes e familiares.
Pelo texto, a União deverá repassar a estados e municípios 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional, com exceções previstas para despesas da polícia penitenciária nacional. A PEC também destina aos fundos de segurança 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social ligado ao pré-sal.
O Sistema Único de Segurança Pública deverá articular os órgãos da área em um regime integrado, cooperativo e descentralizado. Segundo a PEC, o objetivo é aumentar a eficiência na prevenção de crimes, na persecução penal e na execução das penas.