Repórter
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 08h31.
O governo Lula tenta acelerar a votação da proposta que acaba com a escala 6x1 no Senado para concluir a análise antes do segundo turno das eleições, em 25 de outubro. A oposição, liderada pelo PL, defende o cumprimento dos prazos regimentais para adiar a decisão. A PEC prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articula uma votação acelerada da proposta que acaba com a escala 6x1 no Senado, na tentativa de concluir a análise antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. A oposição, por sua vez, aposta nos prazos regimentais para adiar a decisão.
Segundo O Globo, a base governista pretende apresentar um pedido de calendário especial para reduzir o tempo de tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC). Senadores do PL e de partidos aliados de Flávio Bolsonaro defendem que o texto siga o rito normal, o que pode impedir a conclusão da votação antes das eleições.
A PEC prevê a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), trabalha com a possibilidade de realizar a primeira votação na próxima quinta-feira, 15 de outubro.
Antes disso, a PEC precisa passar por cinco sessões de discussão no plenário. Nesta quinta-feira, 8, ocorre a terceira sessão.
Depois da aprovação em primeiro turno, o regimento prevê um intervalo entre as votações e mais três sessões de discussão antes do segundo turno.
Para encurtar esse prazo, governistas estudam apresentar um requerimento de calendário especial ou solicitar a quebra de interstício, mecanismo que permite reduzir intervalos regimentais.
Alcolumbre afirmou que ainda não recebeu um pedido formal, mas disse que submeterá a proposta ao plenário caso seja apresentada.
A base governista quer concluir a votação antes do segundo turno das eleições presidenciais. O fim da escala 6x1 se tornou uma das pautas defendidas por Lula na campanha, e o presidente passou a cobrar publicamente uma posição de Flávio Bolsonaro sobre o tema.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), confirmou a articulação para acelerar a tramitação, mas afirmou que a iniciativa não deve ser apresentada exclusivamente como um pedido do Executivo.“Não vai ser um requerimento do governo, porque eu acho que a votação dessa PEC, independentemente de posições, interessa a todos”, disse a senadora.
Teresa também rejeitou o argumento de que o Congresso deveria esperar a posse dos novos senadores, eleitos no primeiro turno.
Segundo ela, os atuais parlamentares têm mandato até 31 de janeiro de 2027 e podem votar a proposta durante esse período.
Senadores do PL e de partidos aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que o cumprimento integral dos prazos regimentais dificultaria a conclusão da votação antes de 25 de outubro.
Em reunião realizada na quarta-feira, 7, integrantes da oposição analisaram o calendário e decidiram, inicialmente, defender a tramitação normal da PEC.“Vamos seguir o rito normal. Não vai dar tempo de votar”, afirmou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) também citou o intervalo obrigatório entre os dois turnos de votação.“Se seguir o rito, não dá para votar o segundo turno. Existe um intervalo de cinco dias úteis entre o término do primeiro turno e o início do segundo.”
Caso os governistas consigam acelerar a análise, integrantes da oposição discutem recorrer a instrumentos regimentais para dificultar o avanço da PEC, inclusive com a possibilidade de esvaziar votações.
Para integrantes do PL, a tentativa de votar a proposta antes do segundo turno tem motivação eleitoral. Flávio Bolsonaro ainda não declarou apoio ao texto e defende uma alternativa baseada em jornada flexível e maior espaço para negociação entre trabalhadores e empregadores.
O partido também pretende cobrar estimativas dos impactos da mudança sobre diferentes setores da economia.
A proposta em discussão no Senado prevê a substituição do modelo de seis dias de trabalho e um de descanso por uma jornada com dois dias de repouso remunerado por semana.
A redução da carga horária seria gradual. A jornada máxima passaria inicialmente de 44 para 42 horas semanais e, depois, para 40 horas.
O texto também estabelece que a redução da jornada não poderá resultar em diminuição salarial.
Para avançar, a PEC precisa ser aprovada em dois turnos no Senado, com o apoio de pelo menos três quintos dos parlamentares em cada votação.
A primeira votação poderá ocorrer em 15 de outubro, segundo o calendário considerado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O governo tenta acelerar a tramitação para concluir os dois turnos antes de 25 de outubro.
A PEC prevê reduzir gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, estabelecer dois dias de descanso remunerado e impedir a redução salarial.
A base de Lula pretende concluir a análise antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. O tema passou a integrar a campanha do presidente.
Senadores do PL e de partidos aliados de Flávio Bolsonaro defendem o cumprimento dos prazos regimentais. Eles avaliam que o calendário normal dificultaria a conclusão dos dois turnos antes da eleição.
Não. A proposta ainda está em discussão no Senado e precisa passar por votações em dois turnos para avançar.
*Com O Globo