Mauro VIeira, ministro das Relações Exteriores do Brasil (Lula Marques/Agência Brasil)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 16 de julho de 2026 às 15h22.
Última atualização em 16 de julho de 2026 às 15h26.
O ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, explicitou nesta quinta-feira, 16, em sua declaração sobre o tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras, que o lado americano fez exigências "irrazoáveis" que inviabilizavam qualquer acordo.
A EXAME apurou que, entre as exigências feitas durante as negociações, estavam o que o lado brasileiro considerava um desmantelamento da infraestrutura do Pix e a abertura total do mercado brasileiro ao etanol americano.
"O que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações", disse Mauro Vieira em declaração à imprensa.
"Cito como exemplo demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros. Em outras palavras, exigiam a capitulação", afirmou o chanceler brasileiro.
Mauro Vieira também respondeu às críticas de Marco Rubio publicadas em uma rede social, afirmando que "Lula e seu governo não negociariam com os EUA de boa-fé". Rubio também disse que o presidente brasileiro colocou "o próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro" e que as tarifas impostas pelos Estados Unidos seriam "o preço" a se pagar por isso.
As declarações de Rubio foram classificadas como"inaceitáveis, ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro" pelo chanceler brasileiro.
Vieira voltou a afirmar que as tarifas impostas ao Brasil não são justificáveis e que a balança comercial entre os dois países é francamente favorável aos americanos. De fato, o Brasil teve déficit comercial com os Estados Unidos no ano passado de US$ 7,46 bilhões.
O ministro brasileiro também ressaltou que, no ano passado, 76% das importações dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar tarifas, incluindo oito dos dez principais produtos exportados pelos americanos.
Na equipe de negociadores do Brasil, chefiada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as demandas dos Estados Unidos foram consideradas inaceitáveis. A impressão de um integrante do governo Lula, a par das tratativas, foi de que o USTR não levou em conta os argumentos nem as propostas brasileiras de maneira proposital.
O ministro Márcio Elias Rosa se reuniu com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, cinco vezes nas últimas seis semanas, mas as conversas pouco avançaram.