Exportações brasileiras: tarifas de Donald Trump reduziram as vendas do Brasil aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026. (Carl de Souza/AFP/Getty Images)
Repórter
Publicado em 22 de julho de 2026 às 07h18.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 13% no primeiro semestre de 2026, para US$ 17,4 bilhões, registrando o menor valor da série histórica iniciada em 1997, segundo levantamento divulgado pela Amcham Brasil.
O desempenho reflete os efeitos das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros, mesmo após uma ampla lista de exceções.
Com a queda nas vendas, a participação dos EUA nas exportações do Brasil caiu para 9,4%, o menor percentual já registrado. No mesmo período, as exportações brasileiras para o restante do mundo cresceram 11,5%, impulsionadas principalmente pela China, com alta de 21,9%, e pela União Europeia, que avançou 12,8%.
Ao todo, o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos somou US$ 36,4 bilhões entre janeiro e junho, queda de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo a Amcham, os maiores impactos foram registrados justamente entre os produtos atingidos pelas tarifas americanas. As exportações desses itens caíram 16,6% no semestre, enquanto os produtos não afetados pelas sobretaxas recuaram 8,7%.
Entre os principais produtos brasileiros que perderam espaço no mercado americano estão petróleo bruto (-30,4%), café não torrado (-34,8%), semiacabados de ferro ou aço (-21,7%), celulose (-9,4%) e ferro-gusa (-1,2%).
Por outro lado, alguns setores ampliaram as vendas aos EUA, como aeronaves (+32,9%), carne bovina (+41%), óleos combustíveis (+13,7%), equipamentos de engenharia (+23,8%) e máquinas para geração de energia elétrica (+16%).
Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, o desempenho do primeiro semestre evidencia a pressão enfrentada pelo comércio entre os dois países e reforça a necessidade de um entendimento entre Brasília e Washington.
"O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas", afirmou o executivo em nota.Nesta quarta-feira, 22, entrou em vigor uma nova tarifa de 25% anunciada pela Casa Branca após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Apesar de cerca de 60% da pauta exportadora brasileira permanecer na lista de exceções, parte relevante dos produtos manufaturados ficou sujeita à nova cobrança.
As importações brasileiras de produtos americanos também diminuíram no semestre, com queda de 12,5%. O movimento foi puxado principalmente pela redução nas compras de máquinas e motores, que recuaram 76%, e de aeronaves e peças, com baixa de 14,6%.
Apesar do cenário desfavorável, junho trouxe um sinal de recuperação. Após dez meses consecutivos de queda, as exportações brasileiras para os EUA cresceram 3,7% em valor na comparação anual.
Ainda assim, a Amcham alerta que o cenário segue cercado de incertezas diante da possibilidade de novas tarifas americanas e dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os mercados de energia.
*Com O Globo