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Evento expõe crianças em "passarela de adoção" no MT e é alvo de críticas

Desfile com crianças e adolescentes foi criticado pela Defensoria Pública e provocou repercussão nas redes sociais

"Adoção na Passarela": ação contou com o apoio de diferentes organizações voltadas para o direito das crianças e dos adolescentes (OAB-MT/Divulgação)

"Adoção na Passarela": ação contou com o apoio de diferentes organizações voltadas para o direito das crianças e dos adolescentes (OAB-MT/Divulgação)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 23 de maio de 2019 às 09h07.

Última atualização em 23 de maio de 2019 às 09h38.

Cuiabá — Um desfile de crianças e adolescentes em passarela para adoção dentro de um shopping de Cuiabá ocorrido na segunda-feira (20) causou polêmica.

O evento foi promovido pela Comissão de Infância e Juventude (CIJ) da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso e pela Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara).

A presidente da CIJ, Tatiane de Barros Ramalho, afirmou, em nota no portal da OAB-MT, que se tratava de "uma noite para os pretendentes a adotar poderem conhecer as crianças e os adolescentes".

Segundo relatou, o evento encerraria ações da Semana da Adoção. "A população em geral poderá ter mais informações sobre adoção e os menores em si terão um dia diferenciado, em que irão se produzir, fazer cabelo, maquiagem e usar roupa para o desfile", disse a advogada.

A ação dividiu opiniões, com mais críticas do que apoio. Teobaldo Witter, do Conselho Estadual dos Direitos Humanos de Mato Grosso, disse que o evento "fere a dignidade das crianças e adolescentes".

"A impressão que fica é que elas são mercadorias." A Defensoria Pública de Mato Grosso apontou que a ação pode causar "sérios sentimentos de frustração".

Em nota nesta quarta-feira (22) a OAB-MT disse que "nunca foi o objetivo do evento apresentar as crianças e adolescentes a famílias para a concretização da adoção".

Disse ainda que a realização do evento ocorreu com autorização judicial. O Pantanal Shopping, onde o desfile ocorreu, informou que "repudia a objetificação de crianças e adolescentes".

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