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Shein tenta destravar IPO após avaliação despencar de US$ 98 bi para US$ 30 bilhões

Companhia enfrenta margens menores, custos comerciais e concorrência crescente da Temu

Shein: IPO pode ser lançado na próxima semana (JULIE SEBADELHA/AFP via Getty Images)

Shein: IPO pode ser lançado na próxima semana (JULIE SEBADELHA/AFP via Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 11 de agosto de 2026 às 08h11.

Última atualização em 11 de agosto de 2026 às 08h16.

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A Shein prepara sua estreia na Bolsa de Hong Kong com uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) que pode reduzir em quase 70% a avaliação da empresa em relação ao auge. A varejista chinesa de moda rápida, sediada em Singapura, está sendo apresentada a investidores com uma avaliação que pode ficar abaixo de US$ 30 bilhões.

A imprensa internacional apurou, ainda, que o IPO pode ser lançado já na próxima semana. A operação, que vem sendo planejada há mais de quatro anos, ocorre em um momento de maior pressão sobre o modelo de negócios da Shein.

O crescimento mais lento da receita, as margens menores, os custos comerciais mais altos e a concorrência crescente colocam em xeque o ritmo de expansão que ajudou a transformar a companhia em uma das maiores varejistas de moda do mundo.

A empresa começou nesta semana a apresentar a oferta a potenciais investidores, segundo pessoas familiarizadas com o processo ouvidas pela Reuters. Ela pretende lançar a oferta em Hong Kong já na quarta-feira da próxima semana, 19, disseram duas fontes à Reuters.

Avaliação despenca desde o auge

A diferença em relação às avaliações anteriores é expressiva. A Shein chegou a ser avaliada em US$ 98,2 bilhões após uma rodada privada de captação em 2022. O valor caiu para US$ 64 bilhões em 2023 e permaneceu nesse patamar em abril de 2024.

Agora, assessores envolvidos na operação estão buscando investidores para uma avaliação inferior a US$ 30 bilhões, de acordo com informações publicadas pelo Financial Times. O valor representa uma queda de cerca de 70% em relação ao pico alcançado pela companhia.

Internamente, a Shein trabalhava com uma meta de avaliação de US$ 30 bilhões, conforme pessoas familiarizadas com os planos. Caso a oferta seja estruturada abaixo desse nível, a empresa poderá precisar consultar novamente seus investidores atuais antes de avançar com o IPO.

Ainda assim, há interesse por parte de investidores. Uma pessoa familiarizada com o processo afirmou que potenciais compradores demonstraram disposição para adquirir ações a uma avaliação na faixa de US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões.

A Reuters, por sua vez, informou na semana passada que a Shein buscava uma avaliação entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões para a abertura de capital.

Pressão sobre margens aumenta

A redução do valor de mercado ocorre enquanto a companhia enfrenta uma combinação de obstáculos que afeta diretamente sua rentabilidade. A Shein registrou prejuízo líquido de quase US$ 100 milhões no primeiro trimestre de 2026.

O resultado foi influenciado pela retirada, nos Estados Unidos, da isenção de tarifas de importação para pequenos pacotes e por uma despesa de US$ 328 milhões relacionada ao valor justo de ações preferenciais conversíveis resgatáveis após uma mudança contábil.

A companhia também alertou, em documentos apresentados à Bolsa de Hong Kong, para os riscos provocados pelas tensões comerciais entre EUA e União Europeia.

O desempenho anual reforça a deterioração. O lucro líquido, que chegou a US$ 3,4 bilhões em 2024, recuou para US$ 2 bilhões no ano passado. No mesmo período, a margem líquida caiu de 8,7% para 4,9%.

Temu amplia disputa pelo consumidor

A Shein também passou a enfrentar uma concorrência mais forte da Temu, outra plataforma chinesa que adotou estratégia semelhante de vender produtos baratos diretamente de fabricantes para consumidores nos EUA e na Europa.

A popularidade da Shein disparou durante a pandemia, quando consumidores confinados em casa foram atraídos pela combinação de preços baixos e forte investimento em publicidade.

O cenário mudou desde então. Além da concorrência da Temu, a companhia passou a lidar com custos comerciais maiores e maior escrutínio regulatório sobre sua cadeia de fornecimento, incluindo acusações de más práticas trabalhistas.

IPO em Hong Kong após tentativas frustradas

A listagem em Hong Kong ganhou força depois que os reguladores chineses aprovaram, no mês passado, o pedido da Shein para abrir capital na cidade.

Antes disso, a companhia havia tentado avançar com uma listagem em Nova York e posteriormente em Londres. Os planos foram prejudicados pela resistência de políticos e pelo escrutínio sobre sua cadeia de produção na China.

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