Câmara: PT quer voltar a ter ao menos 14 assentos na Câmara representado São Paulo (Pablo Valadares / Câmara dos Deputados/Flickr)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 07h45.
A decisão do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), de não disputar a eleição pode aumentar a chance do PT de ampliar a bancada paulista do partido na Câmara dos Deputados. A avaliação é de caciques da sigla em São Paulo, ouvidos pela EXAME nas últimas semanas.
Na última eleição, em 2022, Boulos recebeu 1 milhão de votos e foi o deputado mais votado do estado. Além da vitória, ele ainda facilitou a eleição de mais dois nomes do PSOL naquele pleito pela regra de quociente eleitoral.
O ministro decidiu não disputar a reeleição para seguir na articulação política com movimentos sociais em meio à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com esse novo espaço, membros do PT avaliam que existe uma chance de o partido voltar aos "tempos áureos" e recuperar cadeiras na Câmara.
Como mostrou a EXAME, o partido espera eleger ao menos 80 deputados para Câmara, 10 cadeiras a mais em relação a última eleição.
Para isso, São Paulo é central. Nas contas de políticos petistas ouvidos na EXAME, a sigla pode recuperar pelo menos três cadeiras em relação a 2022 no maior colégio eleitoral.
O histórico das eleições para deputado federal em São Paulo mostrou que o partido perdeu força nos últimos anos. O auge ocorreu em 2002, na esteira da primeira eleição de Lula à Presidência, quando o PT elegeu 18 deputados federais por São Paulo. A bancada caiu para 14 nomes em 2006 e voltou a 15 em 2010. Na reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2014, o partido perdeu força no estado e viu sua representação recuar para dez deputados.
Quatro anos depois, em meio à eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro, o PT chegou ao menor patamar da série, com oito eleitos. Em 2022, com o retorno de Lula ao Palácio do Planalto, houve uma recuperação para 11 cadeiras — ainda sete abaixo das 18 conquistadas duas décadas antes.
| Eleição | Deputados do PT eleitos por SP | Candidato mais votado em SP | Partido | Votos |
|---|---|---|---|---|
| 2002 | 18 | Eneás | Prona | 1.573.642 |
| 2006 | 14 | Paulo Maluf | PP | 739.827 |
| 2010 | 15 | Tiririca | PR | 1.353.820 |
| 2014 | 10 | Celso Russomanno | PRB | 1.524.361 |
| 2018 | 8 | Eduardo Bolsonaro | PSL | 1.843.735 |
| 2022 | 11 | Guilherme Boulos | PSOL | 1.001.472 |
A aposta para ampliar as cadeiras está em nomes consagrados dentro da sigla que tentarão reeleição, como:
Além do presidente nacional do PT, Edinho Silva, e de Zé Dirceu, ex-ministro de Lula nos dois primeiros mandatos, que volta a disputar uma eleição após cumprir dois anos de prisão por corrupção envolvendo a Operação Lava Jato. O processo contra ele foi anulado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
Outros nomes, como o do ex-participante do Big Brother Brasil, Lucas Penteado, e do ex-deputado federal, Jean Wyllys, são apostas do partido para puxar votos.
Mesmo com essa estratégia, historicamente, o deputado eleito mais votado do estado, mesmo em anos com bom resultado do PT, não foi um membro do partido.
Em 2002, Enéas recebeu 1,5 milhão de votos, seguido de Zé Dirceu, com 556 mil. Figuras como Tiritica, Paulo Maluf e Celso Russomanno também estiveram nessa lista nas eleições seguintes. Em 2018, na esteira do bolsonarismo, Eduardo Bolsonaro recebeu 1,8 milhão de votos.
A ausência de Boulos nas urnas, porém, não significa que o eleitorado conquistado pelo ministro em 2022 ficará disponível para o PT. O próprio PSOL prepara nomes com potencial para concentrar parte desses votos e preservar sua representação paulista na Câmara.
Entre eles está a deputada federal Erika Hilton, que ganhou projeção nacional durante o mandato e colocou a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 entre suas principais bandeiras. Outra aposta é a advogada Natalia Szermeta Boulos, mulher do ministro, que pretende disputar uma cadeira pelo PSOL.