Esquerda forma bloco para frear avanço de Lira ao comando da Câmara

Tendência é que PT, PDT, PSB e PCdoB se unam, ao menos oficialmente, em torno de um único nome

Lideranças de PT, PDT, PSB e PCdoB decidiram, nesta terça-feira, trabalhar pela formação de um bloco de esquerda para frear o avanço de Arthur Lira (PP-AL) na disputa à presidência da Câmara dos Deputados. Lira é o preferido do presidente Jair Bolsonaro e tem feito uma ofensiva sobre parlamentares de esquerda para esvaziar o grupo do atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Apesar do esforço de líderes partidários, há parlamentares de legendas de esquerda que têm defendido, inclusive publicamente, o apoio a Lira

A criação do bloco tem objetivo de conter o avanço do preferido de Bolsonaro sobre legendas de esquerda, que são vistas como fiel balança no pleito. Os partidos citados trabalham ainda para incluir o PSOL no bloco, embora os psolistas acenem com o lançamento de uma candidatura própria, como tradicionalmente têm feito.

A tendência é que esse bloco de esquerda apoie a candidatura do nome de centro que vier a ser indicado por Maia, mas uma candidatura do próprio campo não está descartada.

"Ficamos de até amanhã, no final do dia, fechar esse blocão para, até sexta, definirmos o candidato. Esse bloco tende muito a se unir ao do Rodrigo Maia e somaria cerca de 300 deputados, formando a maioria necessária para eleger o sucessor na Câmara" disse o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, que almoçou com Maia nesta terça-feira.

Segundo Lupi, os mais cotados para receber o apoio do bloco são Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Baleia Rossi (MDB-SP), tendo em vista que Marcos Pereira (Republicanos), avaliado por ele como "um nome muito bom", teria “ciscado” para o lado de Lira.

"Os líderes de oposição se reuniram e decidiram caminhar juntos. Formado o bloco, passa-se a discutir quem deve ser candidato à presidência da Câmara" disse Orlando Silva (PCdoB-SP), afirmando que o momento é de diálogo entre as bancadas.

"O nome do candidato à presidência virou um detalhe. Importante é firmar compromissos essenciais, como a defesa da democracia, a independência da Câmara, a defesa da ciência e da vida no combate a Covid, e o respeito à oposição no funcionamento da Casa" disse Orlando Silva.

Paulo Teixeira (PT-SP), por sua vez, reforça que deputados federais do partido estão empenhados na consolidação do bloco, mas afirma que, entre os petistas, é grande o sentimento de que o campo da esquerda tem que lançar um nome próprio no pleito. Carlos Zarattini (PT-SP) ressalta que os nomes de Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Baleia Rossi (MDB-SP) têm dificuldade de aceitação pela bancada.

Já Alessandro Molon (RJ), líder do PSB, é favorável a uma composição com o nome que vier a ser indicado por Maia, que conta hoje com seis partidos em seu bloco.

"É claro que preferiríamos lançar um nome próprio (de esquerda) com chances de vencer a eleição. Mas no contexto atual, com essa composição da Câmara, mesmo se a nossa candidatura chegar ao segundo turno, no final, dará a vitória ao candidato do Bolsonaro. E isso é o pior que pode acontecer. É hora de ter maturidade para evitar um mal maior" disse Molon, afirmando ainda que haveria o risco de, já no primeiro turno, o lançamento de um nome de esquerda enfraquecer o bloco de Maia e fortalecer Lira.

Para conter o avanço de Lira sobre parlamentares de esquerda, Maia jantou nesta segunda-feira com representantes de PT e PCdoB, e, nesta terça-feira, almoçou com integrantes do PDT e do PSB. Além de Lupi, estava Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB, que, na semana passada, aprovou resolução recomendando à bancada do partido o não apoio a Lira. A reportagem apurou que 17 nomes da legenda já se reuniram com Lira para conversar sobre apoio.

A ida de Siqueira à casa de Maia foi costurada por Alessandro Molon (PSB-RJ), que faz dura oposição a Bolsonaro. O fato de o voto ser secreto, no entanto, dificulta o controle dos partidos sobre a escolha de seus filiados.

 

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