No Congresso, a discussão deve avançar nas próximas semanas. Do lado empresarial, a defesa é por negociação, transição e compensações claras antes de qualquer mudança estrutural na jornada de trabalho.
Escala 6x1: setor privado prevê compensação para mudança (Leandro Fonseca/Exame)
Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 07h00.
O avanço da tramitação do fim da escala 6x1 no Congresso coloca um dilema para o setor produtivo, principalmente para o comércio e indústria. Como manter o nível de produtividade com a redução de jornada?
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 e a fixação da jornada em 40 horas semanais deve começar a tramitar na Câmara após o Carnaval.
Representantes de bares, restaurantes e shopping centers afirmam que, sem medidas compensatórias, a mudança pode pressionar preços, reduzir margens e afetar a oferta de serviços.
A sugestão que ganha força entre as entidades é a desoneração da folha de pagamento como forma de neutralizar parte do aumento de custo.
“Nós somos contra subsídio do Estado. O bar e restaurante não pede subsídio. Mas se o único caminho fosse esse, a minha sugestão seria a desoneração da folha de pagamento”, afirma Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).
Segundo ele, a medida permitiria reduzir encargos como o INSS e absorver parte do aumento estimado de até 20% no custo de pessoal caso a jornada seja reduzida sem corte salarial.
No cálculo apresentado por Solmucci, a redução de um dia de trabalho por funcionário exigiria contratação adicional para manter os estabelecimentos abertos todos os dias.
“Vai parar onde esse aumento de custo? No cardápio”, afirma.
No comércio, o impacto também preocupa. Segundo Glauco Humai, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), cerca de 800 mil trabalhadores em shoppings atuam atualmente sob o regime 6x1.
"A mudança teria impacto direto sobre pequenos lojistas, que muitas vezes contam com três ou quatro funcionários", disse Humai em coletiva de impresa no início de fevereiro.
A entidade prepara uma proposta com contrapartidas fiscais e trabalhistas para compensar os custos adicionais.
Entre os pontos em discussão estão desonerações na folha, incentivos sobre impostos municipais e um período de transição para adaptação ao novo modelo.