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Enfim, a delação da Odebrecht

  Um dia depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin instaurar 76 inquéritos para investigar ministros, deputados, senadores, entre outros políticos, o Supremo liberou para a imprensa a íntegra dos vídeos dos depoimentos de 77 executivos da Odebrecht. A delação desses executivos foi o principal argumento para embasar o pedido dos inquéritos […]

MARCELO ODEBRECHT: depoimento dos executivos da companhia foram divulgados pelo Supremo Tribunal Federal na tarde de quarta / Divulgação

MARCELO ODEBRECHT: depoimento dos executivos da companhia foram divulgados pelo Supremo Tribunal Federal na tarde de quarta / Divulgação

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Da Redação

Publicado em 12 de abril de 2017 às 18h43.

Última atualização em 23 de junho de 2017 às 19h30.

 

Um dia depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin instaurar 76 inquéritos para investigar ministros, deputados, senadores, entre outros políticos, o Supremo liberou para a imprensa a íntegra dos vídeos dos depoimentos de 77 executivos da Odebrecht. A delação desses executivos foi o principal argumento para embasar o pedido dos inquéritos feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Com o acesso aos vídeos, ficará claro o motivo pelo qual cada envolvido será investigado, o que ainda não era totalmente compreensível somente com base nos inquéritos.

Entre as informações que foram dadas nos depoimentos e divulgadas nesta quarta-feira, estão a de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu 40 milhões de dólares à Odebrecht em troca da liberação de 1 bilhão em financiamento para a construtora no exterior. O patriarca do clã, Emílio Odebrecht, disse que a relação dele com o ex-presidente sempre foi muito boa e que ambos combinaram de não falar de valores, mas ter interlocutores que fizessem isso por eles. Emílio chegou a reclamar do “apetite” dos aliados de Lula. “Lembro de, algumas vezes, ter dito a ele algo como: ‘Presidente, seu pessoal quer receber o máximo possível, e meu pessoal quer pagar o mínimo necessário. (…) Peço ao senhor para conversar com seu pessoal para aliviar a pressão”, disse Emílio.

A delação também confirma vazamentos que já haviam ocorrido, como o fato de a Odebrecht manter uma “conta-corrente” com os valores das propinas para o PT operada pelos ex-ministros Antonio Palocci e Guido Mantega. Os vídeos confirmam outros nomes de políticos que já haviam sido divulgados ontem, mas, dessa vez, com os elementos que levaram à abertura das investigações. No caso de Aécio Neves, por exemplo, Marcelo Odebrecht diz que as doações não foram feitas em troca de contrapartidas. Já o ex-deputado Eduardo Cunha teria tentado “parar” a Lava-Jato contratando uma empresa de investigação para encontrar fragilidades na investigação.

De acordo com um levantamento feito pela revista VEJA, o caixa dois é o crime mais comum, com 40% dos políticos citados tendo sido encaixados nessa modalidade. A pena para o caixa dois — na verdade, tipificado como “declaração falsa à Justiça Eleitoral” — é de três a cinco anos de prisão, mas o ato prescreve em quatro anos. Mais informações sobre o que já foi divulgado até agora sobre a delação da Odebrecht no resumo do dia.

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