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Eleição para governo de Minas tem indefinição de nomes e pressão de Lula

Lista de possíveis candidatos inclui Rodrigo Pacheco, Alexandre Kalil, Nikolas Ferreira e Cleitinho Soares

O senador Cleitinho Soares (Rep-MG), durante discurso: ele é cotado para disputar o governo de Minas  (Waldemir Barreto/Agência Senado)

O senador Cleitinho Soares (Rep-MG), durante discurso: ele é cotado para disputar o governo de Minas (Waldemir Barreto/Agência Senado)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 8 de fevereiro de 2026 às 10h00.

A disputa pelo governo de Minas Gerais chega a fevereiro, marcada por incertezas sobre quem serão os candidatos. Até agora, não houve posicionamentos claros e há diversos cálculos e negociações em andamento, que levarão em conta alianças nacionais. 

O atual governador, Romeu Zema (Novo), cumpriu dois mandatos e não pode se reeleger. Seu vice, Mateus Simões (PSD), é cotado como candidato, mas aparece em posição mais baixa nas pesquisas.

Quem lidera as sondagens divulgadas no fim de 2025 é o senador Cleitinho Soares (Republicanos), mas ele ainda não confirmou se será candidato. Empresário do varejo, ele defende medidas como a redução da maioridade penal e a redução de impostos e do tamanho do Estado.

No começo de fevereiro, Cleitinho pediu uma pausa nas conversas sobre a candidatura, pois seu irmão foi diagnosticado com leucemia.

“Peço às pessoas, ao pessoal político, principalmente à imprensa, que me dê um tempo sobre essa questão de candidatura ao governo. Não quero falar sobre isso agora. Quero cuidar do meu irmão e poder ajudar minha mãe”, disse Cleitinho, em discurso no Senado.

Pelo campo da direita, há ainda a possibilidade de que o deputado Nikolas Ferreira (PL) entre na disputa. Ele foi o candidato a deputado mais votado do país em 2022 e atraiu atenção ao fazer uma marcha a Brasília em janeiro, para pedir a libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Nikolas já publicou vídeos ao lado do vice Mateus Simões, e poderia apoiá-lo, caso não se candidate. O deputado afirmou na última semana que não disputará a eleição para o governo do Estado.

"A direita navega com tranquilidade, por enquanto, porque a esquerda não tem nenhum nome competitivo colocado em Minas Gerais", diz Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper.

Lula quer Pacheco

Para enfrentar os nomes de direita, a principal aposta do presidente Lula é o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), que não tem demonstrado publicamente seu interesse na disputa.

Na quinta-feira, 5, Lula voltou a defender a candidatura de Pacheco.

"Quero dizer aqui em alto e bom som, eu ainda não desisti de você, Pacheco. Você sabe que nós vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o futuro governador de Minas", disse Lula em entrevista ao canal UOL.

Pacheco é do mesmo partido do vice-governador Matheus Simões, mas poderia mudar de legenda para a disputa e dividir o palanque com Lula no Estado.

Com a aposta do presidente por Pacheco, há poucas chances de o PT lançar um nome próprio. O petista também poderia fazer aliança com Alexandre Kalil (PDT), atual prefeito de Belo Horizonte, hoje em seu segundo mandato.

Na última semana, o presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou que o presidente do PT, Edinho Silva, se comprometeu a apoiar Kalil na disputa ao governo mineiro. 

Correm por fora, ainda, o vereador de BH Gabriel Azevedo (MDB), que disputou a prefeitura da capital mineira em 2024 e poderia entrar em um acordo com Lula, e o ex-governador Aécio Neves (PSDB), que chefiou o Estado de 2003 a 2010.

A definição da disputa ainda poderá levar meses. Em abril, vence o prazo para os candidatos deixarem seus cargos e em julho haverá convenções partidárias. O prazo para o registro das candidaturas é 15 de agosto.

Estado-pêndulo

Minas Gerais é considerado um dos estados decisivos para a eleição brasileira por ser um dos mais populosos do país e ter um histórico curioso: desde 1989, todos os candidatos que venceram ali conquistaram a Presidência do país.

"Minas tem uma característica geográfica muito interessante: parte do estado está muito próxima do Nordeste e pensa como a população do Nordeste, enquanto outra parte está muito ligada ao pensamento do Sudeste, de São Paulo. O Sul de Minas é muito mais parecido com o interior de São Paulo", diz Consentino.

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