Romeu Zema: governador afirmou que as atividades somente vão retornar no Complexo após a Vale garantir a segurança do local (Cristiano Machado/Gov de Minas/Divulgação)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 13h53.
Última atualização em 9 de fevereiro de 2026 às 13h59.
Sete Lagoas — O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, afirmou nesta segunda-feira, 9, que é inadmissível qualquer tipo de vazamento ou deslizamento relacionado a mineração no estado.
A fala ocorre após a Justiça de Minas acatar um pedido do Ministério Público para a paralisação das operações da Vale no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto, após um vazamento.
"É inadmissível qualquer novo vazamento ou deslizamento relacionado à mineração em Minas Gerais", afirmou em entrevista após participar do evento de entrega de oito locomotivas na cidade de Sete Lagoas, em Minas Gerais.
O governador relembrou as tragédias de Brumadinho e Mariana ao afirmar que o estado tem o compromisso de impedir a operação de qualquer complexo que represente um risco para a população.
"Queremos que Minas seja um estado seguro. Essa é a nossa proposta, e vamos fazer de tudo para que isso se mantenha. Brumadinho tem que ter sido a última ocorrência desse tipo em Minas Gerais", disse.
O vazamento de cerca de 262 mil metros cúbicos e água turva e sedimentos de minério foi registrado em 25 de janeiro na Cava Área 18 do Complexo.
As atividades permanecerão suspensas até que a mineradora comprove tecnicamente a estabilidade e a segurança de todas as estruturas do complexo.
Em caso de descumprimento, a empresa ficará sujeita a multa diária de R$ 100 mil, limitada inicialmente a R$ 10 milhões.
"Vamos tomar todas as medidas necessárias para garantir que qualquer estrutura que ofereça risco, ou não vai operar, ou será — como já fizemos com várias barragens — descomissionada, desmontada", afirmou o governador.
Além de determinar a paralisação das operações, a Justiça mineira determinou que a Vale terá cinco dias para apresentar um Plano de Ações Emergenciais, contemplando a remoção de entulhos, o desassoreamento das áreas atingidas e a interrupção do fluxo de efluentes para o córrego Água Santa.
Também deverá realizar o mapeamento de todas as estruturas com potencial de risco, como diques e pilhas, e garantir o fornecimento de água potável à população caso seja identificado qualquer perigo à saúde pública.
Em até dez dias, a mineradora precisará entregar ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) um plano detalhado de monitoramento da qualidade da água.
"Assim que a empresa mostrar que está tudo seguro, a Secretaria de Meio Ambiente e o Tribunal de Justiça com certeza vão reavaliar a situação", disse.
A Vale informou que suspendeu as operações nas unidades de Fábrica e Viga, em Minas Gerais, em cumprimento às determinações.
A companhia reafirmou “seu compromisso com a segurança das pessoas e de suas operações” e declarou que todas as estruturas permanecem monitoradas 24 horas por dia.
A mineradora destacou ainda que irá prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades e que, apesar das suspensões, suas projeções de produção — os chamados guidances – permanecem inalteradas.
Todavia, a paralisação judicial e o risco de multas e bloqueios bilionários adicionam um novo elemento de incerteza ao cenário financeiro da Vale.
O receio gira em torno do potencial de afetar custos, cronogramas e a percepção de risco dos investidores em relação às operações da companhia em Minas Gerais.