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Brumadinho: seis anos após tragédia, metais tóxicos e transtornos mentais ainda afetam moradores

Estudo da Fiocruz Minas e da Universidade Federal do Rio de Janeiro revelou que a presença do arsênio é a que mais preocupa: saltou de 42%, em 2021, para 57%, em 2023

A tragédia em 25 de janeiro de 2019 deixou 272 mortos, 11 desaparecidos e marcou o Brasil como um dos maiores desastres socioambientais (Germano Lüders/Exame)

A tragédia em 25 de janeiro de 2019 deixou 272 mortos, 11 desaparecidos e marcou o Brasil como um dos maiores desastres socioambientais (Germano Lüders/Exame)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 25 de janeiro de 2025 às 08h00.

Última atualização em 27 de janeiro de 2025 às 10h00.

Seis anos após o desastre de Brumadinho (MG) causado pelo rompimento da barragem da Mineradora Vale, a população ainda sofre seus reflexos.

Um novo estudo da Fiocruz Minas e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou que crianças de até 6 anos tiveram um aumento na exposição a metais tóxicos no período de 2021 a 2023 e a presença de pelo menos um (arsênio, cádmio, mercúrio, chumbo e manganês) em 100% das amostras de urina. 

O arsênio foi o que apresentou os níveis mais elevados: o percentual do público infantil com valores acima do limite de referência passou de 42%, em 2021, para 57%, em 2023.

Em áreas próximas à mineração ativa e à lama, o aumento foi ainda mais significativo. Segundo os pesquisadores, é mais uma evidencia que a a exposição aos metais tóxicos segue disseminada no município, mesmo com pequenas reduções nos níveis de manganês e chumbo no período de análise.

O estudo faz parte do "Programa de Ações Integradas em Saúde de Brumadinho" e desde 2021, acompanha anualmente cerca de 3 mil participantes para entender os impactos da tragédia no curto e longo prazo. Dividido em dois, o projeto "Saúde Brumadinho" é voltado para a população acima de 12 anos, e o "Bruminha", focado em crianças de 0 a 6 anos.

Entre os adultos e adolescentes, o arsênio foi detectado acima dos limites de referência em 20% e 9% das amostras, respectivamente, demonstrando também taxas mais elevadas em áreas próximas à mineração e lama.

Já o Chumbo e mercúrio foram identificados em 100% das amostras em 2023, mas menos de 7% apresentaram níveis acima do aceitável.

Os pesquisadores alertam que os dados indicam exposição, e não intoxicação por metais.

Esta condição só pode ser confirmada após avaliação clínica detalhada. Após a análise, uma das recomendações é a ampliação da rede de atenção à saúde no município, incluindo exames regulares para a população.

Sérgio Peixoto, coordenador-geral da pesquisa e pesquisador da Fiocruz, destacou em nota que a pior percepção da saúde é um indicador de extrema importância para avaliação da condição geral e reflete os impactos aos moradores que vivem próximos das áreas atingidas. 

Ele também ressalta a elevada carga de doenças respiratórias e do relato de sinais e sintomas, o que demonstra a necessidade de maior atenção dos serviços médicos. "Pode estar relacionado ao ambiente, pela disseminação de poeira e natureza da atividade produtiva”, disse.

Impactos na saúde mental

Além da exposição aos metais e riscos à saúde, outro ponto crítico identificado pelos pesquisadores foi a alta prevalência de transtornos mentais.

No período de análise de 2021 e 2023, a proporção de adultos com episódios depressivos maiores saltou de 28,8% para 38,4%, enquanto os de ansiedade subiram de 19,2% para 30,8%. Já entre os adolescentes, os índices também cresceram, alcançando 31,4% para depressão e 23,3% para ansiedade.

Além disso, as doenças crônicas apresentaram um salto significativo. Nos adultos, os diagnósticos de hipertensão passaram de 27,9% para 30%, enquanto os casos de colesterol alto subiram de 20,9% para 28,5%. O diabetes também apresentou aumento, de 8,7% para 10,7%.

No Projeto Bruminha, 28,3% das crianças avaliadas em 2023 apresentaram risco de atraso no desenvolvimento neuromotor -- uma melhora em relação aos 42,5% identificados em 2021. A obesidade também reduziu: o percentual caiu de 11% para 4,6% no período.

Pesquisadores atribuem parte dessa melhora ao retorno das atividades escolares e sociais, interrompidas durante a pandemia de Covid-19.

Relembre o caso

Em 25 de janeiro de 2019, o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, operada pela mineradora Vale, em Brumadinho (MG), liberou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro.

[grifar]A tragédia deixou 272 mortos, incluindo 11 pessoas que permanecem desaparecidas, e causou um dos maiores desastres socioambientais do Brasil. 

A lama destruiu comunidades, contaminou rios e comprometeu a subsistência de moradores da região. O episódio evidenciou falhas na segurança das operações de mineração, resultando em processos judiciais e cobranças para uma maior fiscalização ambiental e reparação às vítimas.

Exatos seis anos depois, os impactos ainda são sentidos, especialmente na saúde da população local.
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