Redação Exame
Publicado em 6 de abril de 2026 às 07h26.
A direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) ameaça intervir no diretório do Rio Grande do Sul para garantir uma aliança com a pré-candidata do Partido Democrático Trabalhista, Juliana Brizola.
A ala estadual do partido, porém, insiste em manter a candidatura própria de Edegar Pretto, aprofundando a divisão no campo da esquerda.
O impasse também envolve o Partido Socialismo e Liberdade, que atualmente apoia Pretto, mas ameaça lançar candidatura própria caso o PDT vença a disputa interna e desfaça o acordo já formalizado no estado.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, criticou a possibilidade de manutenção de dois palanques e classificou o cenário como “etnocentrismo político inaceitável”.
Segundo ele, a falta de unidade pode ter custo elevado para o campo político alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Temos que derrotar o fascismo materializado no projeto da família Bolsonaro. Sem o PDT não há como falar de unidade do campo democrático no Brasil", afirmou.
No estado, a esquerda enfrenta o deputado Zucco, do Partido Liberal, que lidera as pesquisas. Na sequência aparecem Juliana Brizola, Pretto e o vice-governador Gabriel Souza, do Movimento Democrático Brasileiro.
Aliados de Pretto afirmam que sua candidatura foi definida de forma democrática, com apoio de partidos como PSOL, PCdoB, PV, Rede e PSB, e defendem que o nome é o mais competitivo para o pleito.
Juliana Brizola se reuniu com Lula no Planalto e, segundo relatos, ofereceu ao PT espaço na chapa — incluindo vagas ao Senado — em troca de apoio à sua candidatura ao governo.
O movimento ocorre em meio às negociações nacionais do partido para ampliar alianças e fortalecer o palanque do presidente nas eleições de 2026.
O PSOL avalia que apoiar uma candidatura do PDT pode gerar desgaste interno e enfraquecer o projeto político no estado. Lideranças do partido afirmam que há possibilidade de lançar um nome próprio caso haja intervenção da direção nacional do PT.
A deputada federal Fernanda Melchionna afirmou que o partido prefere manter a aliança atual, mas não descarta mudança de estratégia.
O impasse evidencia a dificuldade de unificação da esquerda no estado, mesmo diante da pressão da direção nacional petista por um palanque único.
*Com O Globo