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Desmatamento na Amazônia dispara, em meio à pressão internacional

Derrubada da floresta aumentou 10,7% em junho, comparado com o mesmo mês do ano passado. Nos primeiros seis meses do ano, a área devastada cresceu 25%

Desmatamento da Amazônia (luoman/Getty Images)

Desmatamento da Amazônia (luoman/Getty Images)

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Reuters

Publicado em 10 de julho de 2020 às 12h00.

Última atualização em 10 de julho de 2020 às 12h03.

 O desmatamento na Amazônia Legal cresceu pelo 14º mês consecutivo em junho, mostraram números preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), aumentando a pressão sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro em um momento em que investidores e empresários passaram a cobrar do presidente uma ação mais efetiva contra a destruição da floresta.

De acordo com os dados do Deter, programa de satélite usado para acompanhar em tempo real o desmatamento, a derrubada da floresta aumentou 10,7% em junho, comparado com o mesmo mês do ano passado. Nos primeiros seis meses do ano, a área devastada cresceu 25%, chegando a 3.066 quilômetros quadrados, mostram os dados do Inpe.

“A pressão está aumentando”, disse à Reuters Mariana Napolitano gerente de ciência da ONG WWF-Brasil. “Os dados de desmatamento por si só já mostram que a gente tem uma situação muito complicada e fora do controle na Amazônia agora.”

De acordo com Ane Alencar, diretora de ciências do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), se um novo crescimento vier em julho, o país se encaminha para uma taxa de desmatamento anual de mais de 15 mil quilômetros quadrados, equivalente a duas vezes e meia o tamanho do Distrito Federal, um aumento de quase 50% em relação aos 10.129 quilômetros quadrados desmatados em 2019 e maior número desde 2005, de acordo com os dados oficiais do governo.

Os números do Inpe, medidos através do sistema Prodes, mais detalhados do que o Deter, são levantados entre agosto de um ano a julho do ano seguinte, e estão previstos para divulgação até o final de 2020.

Pesquisadores e ativistas ambientais acusam o governo Bolsonaro de dar poder a madeireiros ilegais, fazendeiros e grileiros de terra ao enfraquecer as agências de fiscalização ambiental e defender o aumento da mineração e do agronegócio na Amazônia como forma de desenvolvimento da economia na região.

O presidente afirma que está sendo demonizado e que o país tem um histórico exemplar na proteção ambiental e faz questão de apontar que a maior parte da Amazônia ainda é coberta pela mata nativa.

A pressão interna e externa, vinda especialmente do setor empresarial, fez com que o governo reagisse com uma tentativa de fazer um controle maior do desmatamento e das queimadas na Amazônia.

Desde maio, sob o comando do vice-presidente Hamilton Mourão, o governo autorizou uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) com as Forças Armadas na Amazônia para evitar queimadas e tentar conter o desmatamento, até agora sem muito sucesso. A GLO, que se encerraria nesta sexta-feira, foi prorrogada até novembro, de acordo com decreto publicado no Diário Oficial da União.

Na quinta-feira, depois de reunião com representantes de fundos de investimento internacionais, o governo anunciou um novo decreto, a ser publicado na próxima semana, proibindo por 120 dias as queimadas autorizadas na Amazônia e no Pantanal.

Cientistas afirmam que a preservação da Amazônia, maior floresta tropical do mundo, é vital para reduzir as mudanças climáticas pelas enormes quantidades de gases de efeito estufa que a floresta é capaz de absorver.

Entre 1º de janeiro e 25 de junho, o Ipam e o centro de pesquisa norte-americano Woods Hole calcularam que o desmatamento e as queimadas na Amazônia liberaram na atmosfera 115 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono, cerca de 20% a mais do que no mesmo período do ano passado, o que equivale às emissões anuais de 25 milhões de carros.

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