Acadêmicos de Niterói estreia na elite com enredo sobre Lula (Reprodução/Redes Sociais)
Redação Exame
Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 12h49.
Última atualização em 15 de fevereiro de 2026 às 13h22.
Atual campeã da Série Ouro, a Acadêmicos de Niterói estreia neste domingo, 15, no Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro com um enredo dedicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com o enredo "Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil", a escola percorrerá diferentes fases da trajetória do petista - da infância em Garanhuns (PE), aos tempos de metalúrgico no ABC Paulista, até a atuação em Brasília, chegando aos dias atuais.
A agremiação será a primeira a entrar na avenida, a partir das 21h45.
O desfile contará com uma escultura em metal de mais de 18 metros representando Lula. O humorista Paulo Vieira foi escolhido para viver o presidente na avenida.
A atriz Dira Paes interpretará Dona Lindu, mãe de Lula. Ela desfila acompanhada de crianças que representarão o presidente e seus irmãos.
Componentes também darão vida a personagens da política nacional. Estão previstas representações da ex-presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Fernando Collor, do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de referências ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao senador Sérgio Moro.
A tradicional subida à rampa do Palácio do Planalto, que marcou a posse do atual mandato, também deve ser reencenada.
Carnaval 2026 no RJ: blocos de rua hoje, domingo, 15 de fevereiroO enredo ainda homenageia a ex-primeira-dama Marisa Letícia (1950-2017), que será representada pela atriz Juliana Baroni. A neta do presidente, Bia Lula, também desfila.
Já a atual esposa do presidente, Rosângela Lula da Silva, a Janja, estará no último carro, ao lado de outros convidados.
Segundo o carnavalesco Tiago Martins, a escola buscou evitar qualquer caráter de campanha eleitoral. Consultas a advogados foram feitas para que não fossem utilizados slogans ou símbolos que pudessem caracterizar propaganda em ano eleitoral. Por isso, referências ao Partido dos Trabalhadores e a programas sociais serão "carnavalizadas".
Apesar dos cuidados, o enredo já foi alvo de críticas. A oposição afirma que o desfile é uma propaganda eleitoral antecipada e questiona os recursos públicos direcionados à escola de samba.
No dia do ensaio, telões mostravam imagens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como presidiário, e bailarinos encenavam a jornada operária de Lula até a presidência.
A letra do samba evita menções diretas às eleições, mas incorpora críticas indiretas a adversários políticos, como no verso "Sem mitos falsos, sem anistia" — crítica indireta ao apelido "Mito" dado a Bolsonaro por seus apoiadores e à tentativa de anistia promovida por parlamentares bolsonaristas.
Como o enredo de uma escola de samba sobre Lula pode antecipar a campanhaA reação da oposição não tardou. Em representação apresentada ao Tribunal de Contas da União (TCU), a bancada do partido Novo pediu o bloqueio de R$ 1 milhão destinados à Acadêmicos, parte de um total de R$ 12 milhões repassados pela Embratur à Liesa, a liga das escolas do Grupo Especial. Os recursos são justificados como apoio à promoção internacional da cultura brasileira.
A área técnica do tribunal recomendou acatar a representação e suspender cautelarmente o repasse, apontando "risco relevante" de violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa, além de inconsistências na lista de escolas contempladas.
Mas o TCU negou a suspensão cautelar. O ministro relator do caso, Aroldo Cedraz não viu elementos suficientes para suspender os repasses. No entendimento dele, a própria área técnica do órgão revelou "uma incerteza fundamental ao afirmar que sequer conseguiu identificar com clareza se o repasse foi realizado para a escola de samba".
Cedraz afirmou também que, "nesta etapa processual, não há qualquer elemento presente nos autos que aponte qualquer favorecimento da escola Acadêmicos de Niterói em relação às demais componentes do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro ou mesmo qualquer indício mínimo apontando que tais repasses tenham sido realizados em face de possível homenagem pessoal do Presidente da República".
Os partidos Novo e Missão também acionaram o TSE para pedir a proibição de trechos do samba-enredo que fazem referência a jingles de campanhas do PT, à participação do presidente Lula e ao compartilhamento de imagens do desfile.
As siglas solicitaram a condenação dos envolvidos e a aplicação de multa de R$ 9,65 milhões.
O TSE negou os pedidos liminares. Os ministros acompanharam o voto da relatora, a ministra Estella Aranha. Além da relatora, votaram pela rejeição da ação: André Mendonça, Cármen Lúcia, Antonio Carlos Ferreira, Villas Bôas Cueva e Floriano de Azevedo Marques
O entendimento do colegiado foi que não é possível impor uma censura prévia e que possíveis irregularidades deverão ser apuradas posteriormente.
TSE nega pedido para suspender desfile da Acadêmicos de Niterói sobre LulaAranha disse que nesse momento não se verifica elemento concreto de campanha eleitoral antecipada que permita afirma, de forma segura, a ocorrência de irregularidade.
"A Justiça Eleitoral não está dando salvo-conduto a quem quer que seja. Não está entrando em uma área de que a matéria foi resolvida, ela foi resolvida só em indeferimento da liminar, o processo continua. O MP vai ser citado para manifestação", afirmou a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) ainda protocolou junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) uma denúncia contra a Escola de Samba por propaganda eleitoral antecipada.
Segundo a parlamentar, o desfile irá homenagear o atual chefe do Executivo, enquanto tece críticas provocativas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, inclusive com a "desinformação de que ele teria matado pessoas durante a pandemia".
O MPE, porém, arquivou o pedido. A decisão foi assinada pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa.
No despacho, Barbosa citou que as acusações já estavam sob a apreciação da Justiça Eleitoral e que a Procuradoria-Geral Eleitoral irá se manifestar nos autos, oportunamente, como fiscal da ordem jurídica.
Diante das acusações, o Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou, na sexta-feira, 13, um comunicado para impor restrições aos militantes ligados ao diretório da sigla no Rio de Janeiro sobre manifestações de cunho político nos desfiles do Carnaval na Marquês de Sapucaí.
Em nota pública direcionada aos militantes, o PT afirmou que a homenagem possui caráter "estritamente cultural" e os participantes da festa devem tomar cuidado para não adotar atividades de cunho eleitoral.
"Nada de pedido de voto, nada de número de urna, nada de slogan eleitoral, nada de impulsionamento com caráter eleitoral. A legislação é clara e a gente não pode dar margem para questionamentos ou penalidades", escreveu o partido, ao divulgar o comunicado nas redes sociais.
As primeiras orientações — dentre as 11 listadas pelo partido — vedam a utilização de qualquer adereço ou elemento visual com referência ao PT e ao número 13, utilizado pela sigla nas eleições. Mensagens com o teor "Lula 2026", "Lula outra vez", "Vamos ganhar" e hashtags, em tom de campanha, também foram citadas como proibidas, além de adornos que remetam a projetos governamentais da gestão petista.
PT proíbe manifestações de cunho eleitoral em desfile sobre LulaA direção nacional do PT também vedou "ataques depreciativos" e "críticas desproporcionais" contra outros pré-candidatos. A regra vale especialmente para opositores e nomes projetados para serem concorrentes dos petistas nas próximas eleições, diz o comunicado.
Ainda conforme a notificação, há delimitações sobre exposições midiáticas e entrevistas por parte de dirigentes e autoridades. Além de evitar menções aos próximos objetivos e metas já alcançados pelo governo, o PT também ressaltou as declarações devem se limitar à "importância cultural do carnaval, trajetória pessoal do homenageado e liberdade artística e criativa da escola de samba".
"Destacamos que o descumprimento é capaz de prejudicar significativamente o Partido dos Trabalhadores e o presidente Lula, além de constituir infração ética prevista no inciso I do artigo 227 no Estatuto do PT", completou.
Antes da homenagem na Marquês de Sapucaí, o presidente passou pelas maiores comemorações de carnaval do Brasil.
No sábado, 14, participou do bloco Galo da Madrugada no Recife ao lado do prefeito da capital pernambucana, João Campos (PSB). Lula também foi acompanhado pela governadora do estado, Raquel Lyra. Ambos devem ser adversários na disputa pelo governo pernambucano em outubro.
No período da noite, foi para Salvador e acompanhou o circuito Osmar, do Campo Grande, o mais tradicional do carnaval baiano, diretamente do camarote do governador do Estado, Jerônimo Rodrigues (PT).
*Com informações de O Globo