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Com tarifaço e alimentos mais baratos, aprovação de Lula sobe pelo segundo mês, diz Quaest

Este é o segundo mês consecutivo que a avaliação negativa cai e a positiva sobe

Popularidade: Lula vê aprovação crescer em meio ao tarifaço ( Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

Popularidade: Lula vê aprovação crescer em meio ao tarifaço ( Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 20 de agosto de 2025 às 07h00.

Última atualização em 20 de agosto de 2025 às 07h40.

A desaprovação do trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve a tendência de queda e chegou ao menor patamar desde janeiro deste ano. É o que mostram os dados da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 20.

O levantamento mostra que 51% dos brasileiros desaprovam a gestão petista, 46% aprovam e 3% não sabem ou não responderam.

Na comparação com a pesquisa de julho, a desaprovação teveuma queda de dois pontos percentuais, no limite da margem de erro, enquanto a aprovação subiu três pontos percentuais.

Este é o segundo mês consecutivo em que a avaliação negativa diminui e a positiva aumenta

A diferença entre os percentuais é de cinco pontos, após ter atingido o pico em maio deste ano.

Apesar da tendência positiva, a desaprovação ainda supera a aprovação pelo quinto mês consecutivo.

Trump e queda de preços dos alimentos ajudam Lula

O resultado reforça a melhora da popularidade de Lula desde o início do tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos imposto pelo presidente americano Donald Trump.

A queda da inflação dos alimentos também teve impacto direto nos melhores índices de Lula. A percepção de aumento no preço da comida diminuiu de 76% em julho para 60% em agosto. Para 20%, os preços permaneceram iguais, e para 18%, houve queda (em julho, esse número era de 8%). Essa percepção é observada em todas as regiões. Como reflexo, a ideia de que o poder de compra está menor do que há um ano caiu de 80% para 70%, e a expectativa para os próximos meses, que vinha se deteriorando continuamente, agora está dividida: 40% acreditam que a situação vai piorar, enquanto 40% acham que ela vai melhorar.

“A percepção do comportamento do preço dos alimentos trouxe alívio às famílias e reduziu a pressão sobre o custo de vida. Ao mesmo tempo, a postura firme de Lula diante do tarifaço imposto por Donald Trump foi vista como sinal de liderança e defesa dos interesses nacionais. Menos pressão inflacionária somada à imagem de um presidente que reage a desafios externos ajudam a explicar o avanço de sua aprovação neste momento”, diz Felipe Nunes, CEO da Quaest.

Melhora entre mulheres e nordestinos

A aprovação do governo apresentou melhora na maioria dos recortes da pesquisa, especialmente n nos eleitores que historicamente apoiam o petista (pobres, mulheres e moradores do Nordeste) e entre os eleitores que se dizem sem posição política.

Entre as mulheres, a aprovação subiu dois pontos percentuais e ficou bem próxima da desaprovação, que é de 49%.

No Nordeste, a aprovação passou de 53% em julho para 60%, o que representa uma diferença de 23 pontos percentuais em relação à desaprovação. Nos dois estados da região analisados na pesquisa, houve alta significativa na aprovação.

Na Bahia, subiu de 47% para 60%, enquanto a desaprovação caiu de 51% para 39%. Já em Pernambuco, a aprovação foi de 49% para 62%, e a desaprovação recuou de 50% para 37%. Nos dois estados, havia empate técnico na pesquisa anterior.

Entre os eleitores com até o Ensino Fundamental, a aprovação foi de 51% para 56%, enquanto a desaprovação teve uma redução, de 42% para 40%.

Entre os mais pobres, que ganham até 2 salários mínimos, o governo obteve 55% de aprovação e 40% de desaprovação — em julho, os números estavam equilibrados, com 50% de aprovação e 49% de desaprovação. O governo também viu aumento na aprovação entre católicos (54%) e entre os beneficiários do Bolsa Família.

Maioria acredita que será prejudicado pelo tarifaço

O embate entre Trump e o governo brasileiro é amplamente conhecido pelos eleitores, segundo a pesquisa. 84% afirmaram ter ouvido sobre a carta do presidente americano para Lula, contra 60% em julho, enquanto o desconhecimento caiu de 33% para 16%. Para 71%, Trump está errado ao impor taxas, acreditando que há perseguição ao ex-presidente Bolsonaro.

No contexto desse confronto, 48% dos entrevistados consideram que Lula e o PT estão fazendo o que é mais certo, enquanto 28% acreditam que Bolsonaro e seus aliados estão corretos. Para 15%, ninguém está certo. Ao mesmo tempo, 41% veem o presidente como alguém que está se aproveitando da situação para se promover, enquanto 49% acreditam que Lula está agindo em defesa do Brasil. No caso de Eduardo Bolsonaro, a maioria (69%) afirma que o deputado está defendendo os interesses dele e de sua família, enquanto 23% acreditam que ele está defendendo os interesses do Brasil.

Os entrevistados também acreditam que serão prejudicados pelas altas tarifas (77%), já que elas vão aumentar o preço dos alimentos (64%). A maioria (67%) defende que o Brasil deve negociar com os EUA, enquanto 28% acham que o país deveria reagir taxando os produtos americanos. No entanto, as opiniões sobre o sucesso nas negociações estão divididas: 48% acreditam que Lula conseguirá um acordo, enquanto 45% não têm essa expectativa.

A pesquisa Quaest ouviu 12.150 brasileiros acima de 16 anos entre os dias 13 e 17 de agosto, por entrevistas presenciais com questionários estruturados. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, e o índice de confiança é de 95%.

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