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Cracolândia: "Vamos ter de passar por essa fase", afirma prefeito de SP

Nunes atribuiu os conflitos à escassez de droga e prometeu aumentar o efetivo da Guarda Civil Metropolitana (GCM) no local

Ricardo Nunes: prefeito falou sobre a Cracolândia e a dispersão dos usuários pela cidade (Governo do Estado de São Paulo/Divulgação)

Ricardo Nunes: prefeito falou sobre a Cracolândia e a dispersão dos usuários pela cidade (Governo do Estado de São Paulo/Divulgação)

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Estadão Conteúdo

7 de julho de 2022, 15h37

Um dia após os saques na região da Santa Ifigênia, provocados pela dispersão dos usuários e traficantes de drogas da Cracolândia pelo centro da cidade, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou nesta quinta-feira, 7, que esta é uma etapa do combate ao tráfico.

"Vamos ter de passar por essa fase", disse. Na quarta-feira, 6, donos de lojas baixaram as portas em alguns horários diante do receio de invasões. Nunes também prometeu aumentar o efetivo da Guarda Civil Metropolitana (GCM) no local.

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Nos últimos dias, o fluxo vem se concentrando na rua dos Gusmões perto da Santa Ifigênia, importante polo de comércio de eletroeletrônicos da região central de São Paulo.

Depois de uma operação policial, usuários se dispersaram e alguns tentaram saquear estabelecimentos comerciais. Imagens feitas pelos próprios comerciantes mostram o momento em que suspeitos fogem com bebidas e até um televisor de um bar na Rua Guaianases. Segundo a polícia, quatro pessoas foram presas.

Nunes atribuiu os conflitos à escassez de droga. "Existe um momento em que, faltando droga, os dependentes ficam mais agressivos, com um comportamento fora do padrão normal. Infelizmente, nós vamos ter de passar por essa fase. É uma etapa que a gente precisa vencer, mas não podemos parar", afirmou.

Embora não tenha citado o número exato de homens que vão atuar, o prefeito detalhou ações de policiamento. "Fiz um concurso para contratar mil guardas da GCM, que está na fase de provas e chamamento. Dobrei de 1,2 mil para 1,4 mil vagas na operação delegada [policiais militares que trabalham de folga são remunerados pela prefeitura]. Vou pedir para colocar mais policiais naquela região. Não vamos aceitar que baderneiros, malandros e bandidos acabem com o sossego das pessoas de bem da cidade", afirmou Nunes durante visita ao programa Ver na Escola, na zona oeste de São Paulo.

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Dispersão da Cracolândia

O prefeito também pediu tranquilidade aos donos de comércio na região central. "Queria que os comerciantes tivessem tranquilidade, que nós entendemos a importância do trabalho deles como empreendedores da cidade de São Paulo e geradores de emprego. É responsabilidade do estado e nós não vamos nos furtar a essa responsabilidade de oferecer segurança a eles."

A dispersão do fluxo pelo centro começou em março, com a saída da região da Estação Julio Prestes, na Luz. De acordo com a Polícia Civil, a movimentação foi determinada pela facção criminosa que comanda o tráfico na capital.

Os usuários e traficantes se deslocaram, então, para a região da Praça Princesa Isabel. Após uma megaoperação policial, o fluxo da Cracolândia se espalhou por vários pontos.

Paralelamente às ações policiais, a prefeitura afirma que vem ampliando os serviços para internação dos usuários.

"Temos cinco Caps [Centros de Atenção Psicossocial] no centro e teremos sete, além dos Siats [Serviços Integrado de Acolhida Terapêutica]. Esse é o caminho que a prefeitura está traçando. Evidentemente, se o médico dessas unidades identificar que aquela pessoa necessita de uma internação, nós vamos dar toda infraestrutura", disse Nunes.

(Estadão Conteúdo)