Brasil

CPTM adia compra bilionária de trens

Uma queda de braço entre o governo do Estado e a indústria ferroviária provocou mais um atraso na licitação para a compra de 65 trens para a companhia


	Enquanto os trens não chegam, a lotação da CPTM aumentou 9% só no ano passado, chegando a 2,8 milhões de passageiros por dia
 (Marcos Santos/USP Imagens)

Enquanto os trens não chegam, a lotação da CPTM aumentou 9% só no ano passado, chegando a 2,8 milhões de passageiros por dia (Marcos Santos/USP Imagens)

DR

Da Redação

Publicado em 22 de maio de 2013 às 08h26.

São Paulo - Uma queda de braço entre o governo do Estado e a indústria ferroviária provocou mais um atraso na licitação para a compra de 65 trens para a Companhia Paulista de Trens metropolitanos (CPTM), a maior da história da empresa e a maior do mundo no momento, cujas primeiras composições deveriam ser entregues no início de 2014.

O processo se arrasta desde agosto de 2012. A licitação, que antes era apenas nacional, chegou a ser suspensa no ano passado e refeita - aberta à participação de empresas estrangeiras - porque o preço proposto pelas fabricantes brasileiras têm ficado acima do que o Estado acha correto. A compra é estimada em R$ 2 bilhões.

Enquanto os trens não chegam, a lotação da CPTM aumentou 9% só no ano passado, chegando a 2,8 milhões de passageiros por dia. O novo atraso ocorreu anteontem, quando deveriam ter sido abertos os envelopes com os preços das fabricantes - vence quem oferecer menor preço.

Um mandado de segurança obtido pela CAF, empresa espanhola com fábrica no Brasil permitiu que ela apresentasse propostas "com a consideração dos favores fiscais conferidos às empresas estrangeiras, para nivelar a situação entre as concorrentes nacionais e internacionais", segundo decisão do desembargador Venício Salles, do Tribunal de Justiça da São Paulo.

A vantagem para as estrangeiras, segundo o advogado Anivaldo dos Anjos Filho, que representa a CAF, está nos impostos de importação. "Dão uma vantagem de 15% para as empresas estrangeiras", afirma.


A CPTM diz que aceitou os envelopes da CAF, mas que a data da abertura dos envelopes ainda será divulgada.

"A CPTM está recorrendo na Justiça para derrubar a liminar concedida às empresas, mantendo as regras estabelecidas pelo edital", diz a empresa, em nota. Enquanto isso, os envelopes com o preço dos trens vão continuar lacrados.

A CAF é a única empresa que continua no processo, contra três fabricantes de trens da Ásia.

A CPTM, entretanto, rebate as acusações de favorecimento. Diz que benefícios de importação previstos em lei estão sendo usados "indevidamente por algumas empresas nacionais para difundir a falsa impressão de que a licitação é direcionada".

Diz ainda que "lamenta que argumentações sem fundamento legal acabem por atrasar o processo licitatório e a aquisição dos trens, o que causa prejuízo à população".

Acompanhe tudo sobre:EmpresasEstatais brasileirasEmpresas estataisTransportesmobilidade-urbanaTrensEstado de São PauloCPTMLicitações

Mais de Brasil

Explosão abre cratera na rua da Consolação, em São Paulo

Câmara deve votar PEC da Segurança Pública nesta semana

Com quantos votos se elege um deputado? Entenda o quociente eleitoral

Ato contra governo federal e STF reuniu mais de 20 mil pessoas na Avenida Paulista, aponta USP