Caso Flordelis: entenda a participação de cada acusado no assassinato

Polícia vê parlamentar como arquiteta do plano que matou o pastor Anderson do Carmo; dos dez acusados presos, oito eram membros da família

"Não se trata de uma família, mas de uma organização criminosa", foi assim que o delegado Allan Duarte definiu o grupo formado pela deputada federal Flordelis (PSD-RJ) e os demais acusados de envolvimento no assassinato do marido dela, o
pastor Anderson do Carmo, em junho do ano passado. Segundo a investigação da Polícia Civil, a parlamentar foi quem orquestrou o crime, que envolveu oito integrantes da família.

O inquérito, aceito pelo Ministério Público, narra uma trama complexa e uma dinâmica familiar diametralmente oposta à imagem puritana que o casal transmitia em cultos e eventos pentecostais pelo país. O enredo inclui sexo, traições, envenenamento, brigas por dinheiro, rituais nada cristãos e até a prática das famosas "rachadinhas" — desvio de dinheiro de funcionários de gabinete.

Um ano e dois meses depois do crime e de uma investigação cheia de reviravoltas, a polícia concluiu o inquérito. Aos três suspeitos já presos, se juntaram mais cinco filhos de Flordelis, uma neta e a mulher de um dos detidos anteriormente. A deputada segue em liberdade, graças ao foro privilegiado, embora a polícia não tenha dúvidas de que ela desempenhou papel central na articulação do crime e em seus desdobramentos.

Arquiteta de um crime

De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio, por trás do enredo montado por Flordelis, que também é pastora evangélica, havia uma trama de traições, sexo, rituais de magia negra e até “rachadinhas” — desvios de salários de funcionários de parlamentares.

Flordelis e Anderson tinham 55 filhos, a maioria adotivos. O próprio pastor havia sido adotado pela deputada, e chegou a ser tratado como genro, quando namorou uma de suas filhas. Segundo investigadores, ele controlava a família com mão de ferro, tomando conta de tudo, da partilha dos alimentos às finanças, e ainda administrava a igreja fundada pelo casal, que, até 2019, tinha oito templos.

Morto com mais de 30 tiros na garagem de casa, em Pendotiba, Niterói, Anderson era odiado por parte dos filhos e pela mulher, e foi alvo de oito tentativas frustradas de assassinato, inclusive por envenenamento. Ele foi hospitalizado cinco vezes.

A família tentou esconder evidências dos crimes, segundo a polícia, e fez uma fogueira no quintal da casa para destruir provas. Mas, pouco a pouco, os indícios apareceram ao longo de um ano e dois meses de investigação. O revólver usado na execução estava em cima do armário de Flávio, filho que admitiu ser o autor dos disparos. Outras confissões e contradições em depoimentos também resultaram em provas, assim como mensagens de celulares que revelaram planos criminosos.

Numa das mensagens descobertas por policiais e promotores, Flordelis escreveu a um dos filhos: “André, pelo amor de Deus, vamos por um fim nisso. Me ajuda. Cara, tô te pedindo, te implorando. Até quando vamos ter que suportar esse traste no nosso meio?”. Numa outra, Marzy, uma das filhas, incitou o irmão Lucas a matar o pastor por R$ 10 mil.

Por seis vezes, tentaram envenenar Anderson com arsênico. Investigadores comprovaram que duas filhas fizeram pesquisas na internet sobre venenos que teriam sido colocadas em sucos e pratos servidos a Anderson; misturadas a porções de feijão, a molho de macarrão e a sobremesas. Anderson foi internado cinco vezes com problemas digestivos. Numa mensagem de celular, uma das autoras da tentativa de homicídio lamentou: “Ele é ruim de morrer”. A família ainda tentou forjar dois latrocínios (roubo seguido de execução). O último resultou na morte d eAnderson.

Em um recado enviado aos filhos, Flordelis se justificou sobre o plano de execução. “Fazer o quê? Separar não posso, porque ia escandalizar o nome de Deus”, escreveu a pastora e cantora gospel. De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público, parte do grupo participava de orgias com a deputada e o pastor. Além disso, alguns participavam de rituais secretos e tinham braços na atuação parlamentar, dentro do gabinete em Brasília. Esses eram obrigados a fazer “rachadinha” em que devolviam parte de seus salários a Flordelis.

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