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Câmara tenta acordo para reduzir impacto de projeto do agro

Governo e Câmara negociam nova versão do projeto de renegociação de dívidas rurais após críticas ao impacto fiscal do texto aprovado pelo Senado

Câmara dos Deputados discute IA no Brasil (Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Câmara dos Deputados discute IA no Brasil (Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Publicado em 6 de julho de 2026 às 07h39.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reúne nesta semana com representantes da bancada ruralista e integrantes da equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para buscar um acordo em torno de um novo texto sobre a renegociação de dívidas de produtores rurais.

O encontro está previsto para terça-feira, 7, mas a votação da proposta ainda neste semestre é considerada improvável por causa da proximidade do recesso parlamentar, que começa oficialmente em 18 de julho.

Na semana passada, Motta informou a líderes partidários que a Câmara não votaria o projeto da forma como ele foi aprovado pelo Senado. A avaliação é que o texto amplia excessivamente o impacto sobre as contas públicas e que o Congresso deve evitar o avanço de pautas com elevado custo fiscal neste momento.

A proposta original, aprovada pela Câmara no ano passado, previa medidas de apoio a produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos, como as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.

No Senado, porém, o projeto foi ampliado para incluir também produtores prejudicados por impactos econômicos decorrentes de conflitos internacionais, como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, o texto aprovado pelos senadores teria impacto de cerca de R$ 140 bilhões nas contas públicas ao longo de dez anos.

Governo busca consenso com a Câmara

Na última quinta-feira, Motta se reuniu com o ministro Dario Durigan, da Fazenda, e com o líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), para discutir alternativas ao projeto. Segundo relatos de pessoas que acompanham as negociações, o governo apresentou pontos que haviam sido negociados no Senado, mas que acabaram ficando de fora da versão final aprovada.

A intenção do Palácio do Planalto é usar essas propostas como base para construir um consenso com a Câmara, preservando o apoio aos produtores rurais sem ampliar de forma significativa os gastos públicos.

Entre os deputados, a expectativa é que o relator da proposta continue sendo Afonso Hamm (PP-RS), autor do parecer original na Câmara e integrante da bancada ruralista.

Apesar da aproximação entre Motta e o presidente Lula nos últimos meses, a bancada ruralista deve manter pressão para acelerar a votação da proposta. A boa relação entre os dois passou a ser vista pelo governo como um instrumento para conter projetos considerados prejudiciais à agenda econômica, especialmente após o distanciamento entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

*Com O Globo 

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