Brasil

Câmara aprova projeto que amplia benefícios a partidos políticos

Texto limita multas, amplia parcelamento de dívidas e muda regras de prestação de contas eleitorais

Publicado em 20 de maio de 2026 às 10h49.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 19, um projeto de lei que promove um amplo conjunto de mudanças nas regras eleitorais e partidárias, com impacto direto sobre o funcionamento e as finanças das legendas.

A proposta inclui flexibilizações em mecanismos de cobrança de dívidas, redução de penalidades financeiras e novas regras para comunicação digital durante campanhas.

O texto ainda precisa ser analisado pelo Senado Federal e, posteriormente, pode seguir para sanção ou veto da Presidência da República.

Pacote altera regras de financiamento e punições aos partidos

De autoria do deputado Pedro Lucas Fernandes (União-MA) e relatado por Rodrigo Gambale (Podemos-SP), o projeto foi aprovado sob regime de urgência, o que permitiu a votação direta em plenário, sem análise prévia pelas comissões.

Entre os principais pontos, o texto estabelece condições mais flexíveis para renegociação de dívidas partidárias, além de ampliar prazos de pagamento e limitar sanções financeiras aplicadas às legendas.

O projeto prevê prazo de até 15 anos para renegociação de débitos e autoriza o parcelamento em até 180 meses de dívidas já em execução pela Advocacia-Geral da União (AGU), inclusive aquelas que já estavam em programas de parcelamento anteriores.

Limite para multas e mudanças em prestação de contas

Um dos pontos mais sensíveis da proposta é a alteração no cálculo de multas aplicadas a partidos com contas desaprovadas. Atualmente, a penalidade corresponde a 20% do valor devido, além da devolução dos recursos.

Com a nova regra, esse percentual é eliminado e o valor máximo de multa passa a ser limitado a R$ 30 mil, independentemente do montante envolvido.

O projeto também altera prazos de julgamento das prestações de contas eleitorais. Caso o processo ultrapasse três anos sem decisão, o partido deixa de ser punido, mesmo sem conclusão do julgamento.

Outro dispositivo reduz a responsabilização interna das legendas ao limitar a obrigação dos diretórios nacionais por irregularidades cometidas em instâncias estaduais, municipais ou distritais.

A proposta também regulamenta o uso de comunicação digital em campanhas eleitorais, incluindo disparos de mensagens por aplicativos.

O texto autoriza partidos a cadastrarem números oficiais para envio de conteúdo eleitoral e estabelece que mensagens enviadas a contatos previamente cadastrados não serão consideradas disparo em massa, mesmo quando automatizadas.

Críticos apontam que a flexibilização pode abrir espaço para ampliação de envios automatizados em períodos eleitorais, reduzindo restrições hoje vigentes sobre esse tipo de prática.

Outro trecho do projeto impede a suspensão de repasses de recursos públicos aos partidos durante o semestre eleitoral.

A regra abrange o Fundo Partidário e o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), além de proibir bloqueios decorrentes de decisões sobre prestações de contas nesse período.

O texto também estabelece que, em caso de fusões ou incorporações partidárias, todos os processos judiciais e administrativos em andamento serão suspensos até a regularização da representação da nova legenda.

Fundações partidárias podem atuar no ensino

A proposta ainda amplia o escopo de atuação das fundações vinculadas aos partidos políticos, permitindo que elas desenvolvam atividades educacionais mais amplas, incluindo cursos de formação, capacitação política e até parcerias com instituições de ensino superior.

Na prática, o dispositivo abre margem para que essas entidades passem a ofertar cursos estruturados, com possibilidade de cobrança de mensalidades.

A votação ocorreu de forma simbólica e contou com amplo acordo entre partidos da base governista, oposição e blocos do Centrão. Siglas como Novo, PSOL e Missão registraram votos contrários.

Parlamentares críticos afirmaram que o projeto reduz mecanismos de controle sobre o uso de recursos públicos e flexibiliza regras eleitorais em benefício das próprias legendas.

*Com o Globo

Acompanhe tudo sobre:Partidos políticosCâmara dos Deputados

Mais de Brasil

Vídeo mostra incêndio causado por queda de helicópteros no Recreio dos Bandeirantes

Acidente com helicópteros deixa seis mortos no Recreio dos Bandeirantes

Campos ou Lyra: quem lidera a disputa pelo governo de Pernambuco?

Eleições 2026: quem são os possíveis candidatos ao Senado em Rondônia?