Tebet, Marina e França: esquerda tem indefinição na montagem da chapa ao Senado (Ricardo Stuckert/Leandro Fonseca/Montagem/Exame)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 25 de maio de 2026 às 12h05.
A demora do PT para fechar a chapa de Fernando Haddad ao governo de São Paulo já provoca irritação dentro do PSB. Dirigentes do partido passaram a defender internamente o lançamento das candidaturas de Simone Tebet e Márcio França ao Senado, mesmo sem um acordo formal com o PT.
O movimento ampliaria o risco de fragmentação da esquerda na disputa pelas duas vagas ao Senado em 2026.
Hoje, além de Tebet e França, a ex-ministra Marina Silva, da Rede, também aparece como pré-candidata ao Senado no campo aliado de Haddad. O cenário pode levar a esquerda a chegar à eleição com três nomes competitivos para apenas duas vagas na Casa Alta.
Inicialmente, a articulação discutida entre aliados previa Marina Silva representando a federação PSOL-Rede ao lado de Simone Tebet. O cenário mudou após Márcio França deixar o governo federal no período de desincompatibilização para sustentar sua candidatura.
Nos bastidores, aliados de França afirmam que o ex-governador quer preservar protagonismo na eleição paulista, embora admita uma solução negociada. Em entrevistas recentes, ele afirmou que aceitaria até disputar como suplente de uma candidatura do campo da esquerda.
A preocupação de membros de partidos da esquerda aumentou porque a eleição ao Senado passou a ser tratada como estratégica tanto pelos aliados de Lula quanto pelo grupo político do governador Tarcísio de Freitas.
Com duas vagas em disputa, a pulverização de candidaturas pode reduzir as chances de a esquerda conquistar espaço relevante no Senado paulista em 2026.
Reservadamente, dirigentes admitem que a disputa em São Paulo já é considerada difícil para o campo de Haddad. O diagnóstico leva em conta o cenário eleitoral estadual e o desempenho de Tarcísio nas pesquisas. Hoje, levantamentos internos e públicos indicam que o governador aparece com possibilidade de vitória no primeiro turno.
A indefinição ocorre em meio à ausência de um posicionamento público de Lula sobre a montagem da chapa em São Paulo. Sem arbitragem do presidente, dirigentes do PSB avaliam que a tendência é de prolongamento do impasse nas próximas semanas.
Em conversas reservadas, interlocutores da legenda afirmam que o presidente nacional do PSB, João Campos, ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo de Pernambuco, passou a defender internamente que os nomes do partido permaneçam competitivos até uma definição mais próxima da eleição.
Nas pesquisas recentes, Marina e Simone aparecem na dianteira da corrida ao Senado em São Paulo. Márcio França surge abaixo das duas ministras e disputa posições com Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), nomes ligados ao campo conservador paulista.
A avaliação dentro do PSB é de que a demora favorece adversários já organizados. Hoje, a direita tem uma composição mais consolidada no estado, com os pré-candidatos ao Senado na chapa ligada ao governador Tarcísio de Freitas.
O cenário era inverso no início do ano. Até a entrada de Márcio França na disputa, aliados avaliavam que a direita enfrentava mais dificuldades para fechar sua composição. O impasse foi reduzido após um acordo entre Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e Eduardo Bolsonaro, que passaram a respaldar o nome de André do Prado para a chapa majoritária.
Além das vagas ao Senado, a campanha de Fernando Haddad também enfrenta indefinição sobre o posto de vice-governador. Integrantes da coalizão discutem a possibilidade de composição com um nome mais ligado ao centro político e ao agronegócio para ampliar o alcance eleitoral da chapa.
Simone Tebet chegou a ser mencionada nos bastidores como alternativa para a vice de Haddad. A ministra, porém, já indicou a aliados que pretende disputar uma vaga ao Senado em 2026, cenário que reduziu espaço para essa hipótese.
A deputada federal Tabata Amaral reconheceu publicamente na última sexta-feira, 22, que a indefinição da chapa da esquerda prejudica a pré-campanha em São Paulo.
“O que a gente vem comunicando ao PT é que a demora para essa definição da chapa é muito ruim para a campanha. E já já estaremos nela”, afirmou a parlamentar durante o Fórum Esfera 2026, no Guarujá.
Tabata afirmou ainda que o grupo político de Haddad corre contra o tempo diante do avanço dos adversários no estado. “É uma eleição difícil aqui em São Paulo e acho que a gente não pode correr o risco da política de perder tempo e perder o que acontece na rua”, disse.
No mesmo evento, Marina Silva também cobrou prazo para a definição. Em entrevista no mesmo evento, ela afirmou esperar que a segunda vaga ao Senado seja definida até, no máximo, o início de junho.