Cérebro com peça faltando, representação de doenças do neurodesenvolvimento (Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 25 de maio de 2026 às 14h33.
Última atualização em 25 de maio de 2026 às 14h40.
A inclusão de profissionais com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atingiu um patamar de estabilidade jurídica inédito no mercado brasileiro: 96,5% das vagas destinadas a esse público são sob o regime de contratação efetiva (CLT).
No entanto, por trás do avanço nos contratos de longo prazo, o Recursos Humanos do país enfrenta um viés estrutural. Um levantamento recente realizado pelo Infojobs e enviado com exclusividade à EXAME revela que as oportunidades ainda estão fortemente represadas em setores operacionais e concentradas geograficamente na região Sudeste, que retém quase 70% das vagas.
Para os líderes de gestão de pessoas, o cenário aponta que o mercado corporativo começou a abrir as portas, mas ainda opera dentro de uma zona de conforto limitante. As vagas estão associadas majoritariamente a atividades de rotinas previsíveis e suporte, como Comercial/Vendas, Logística, Administração e Atendimento em Lojas e Shoppings.
“Existe uma evolução clara na abertura de vagas, mas ainda vemos um padrão de concentração em funções mais estruturais e repetitivas. O desafio agora é ampliar esse acesso para posições mais estratégicas e diversificadas”, analisa Hosana Azevedo, Gerente Sênior da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs.
O mapeamento do Infojobs deixa evidente quais setores absorvem essa força de trabalho e onde o RH precisa romper estereótipos de capacidade técnica.
Setores com maior volume de oportunidades para TEA:
Comercial e Vendas
Logística
Administração
Alimentação e Gastronomia
Funções mais recorrentes no recrutamento:
Atendimento
Lojas e Shopping
Administração Geral
Logística
“Na prática, isso indica que o mercado ainda associa a contratação de pessoas com TEA a atividades com menor variabilidade”, explica Hosana. De acordo com a especialista, as empresas começam a entender o potencial desses profissionais, mas falta evoluir para uma visão ampla de competências que identifique talentos aptos a ocupar posições de liderança, tecnologia e alta especialização.
O estudo traz um dado financeiro e estratégico de peso: a estabilidade é a regra. Os formatos de contratação alternativos quase não aparecem nas estatísticas, o que demonstra o desejo das marcas em reter esses talentos no longo prazo.
Efetivo (CLT): 96,5% das vagas
Temporário: 1,3%
Estágio: 0,7%
Embora o modelo CLT dominante sinalize um compromisso real com a inclusão, a quase inexistência de vagas de estágio (0,7%) revela um gargalo na base da formação corporativa, fechando as portas de entrada de universitários com TEA no ecossistema de grandes companhias.
A disparidade geográfica também é um fator de atenção para os diretores de RH nacionais. O Sudeste lidera isolado com 67,7% das vagas, seguido pelo Sul (18,3%), Nordeste (6,3%) e Centro-Oeste (5,4%). Essa concentração acompanha o eixo econômico, mas escancara a baixa maturidade das filiais e empresas fora dos grandes centros em gerenciar programas de diversidade estruturados.