Brasil

Brasil vai apoiar direitos LGBT e da mulher em evento da ONU

Debate das Nações Unidas confirmou a posição brasileira sobre aborto e direitos da população LGBT


	Parada Gay de São Paulo: posicionamento extraído na tarde de hoje se coaduna com o Consenso de Montevidéu, assinado pelo Brasil
 (Paulo Whitaker/Reuters)

Parada Gay de São Paulo: posicionamento extraído na tarde de hoje se coaduna com o Consenso de Montevidéu, assinado pelo Brasil (Paulo Whitaker/Reuters)

DR

Da Redação

Publicado em 21 de fevereiro de 2014 às 22h16.

Brasília - O seminário População e Desenvolvimento na Agenda do Cairo: Balanço e Desafios, com enfoque nos direitos sexuais e reprodutivos, ajustou hoje (21) a posição que o Brasil vai apresentar na 47ª Sessão da Comissão de População e Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU), entre os dias 4 e 11 de abril, em Nova York.

O debate confirmou a posição brasileira sobre aborto e direitos da população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transsexuais e Transgêneros). Dentre os pontos principais, está a descriminalização de circunstâncias que autorizem o aborto, além do que já é permitido, em casos que envolvam a saúde da mulher, bem como o apoio a programas de planejamento familiar, com distribuição de contraceptivos à população e direitos da comunidade LGBT, incluindo políticas de apoio aos jovens.

O posicionamento extraído na tarde de hoje se coaduna com o Consenso de Montevidéu, assinado pelo Brasil e mais 37 países integrantes da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), sobre os temas a serem levados a Nova York.

Jaqueline Pitanguy, do Conselho Nacional de Direitos da Mulher (CNDM), ressaltou que o Brasil vai defender “com unhas e dentes” esses pontos, e disse que o país também precisa avançar em outras questões, como na aplicação de legislações já existentes sobre direitos sexuais e reprodutivos.

“Um dos grandes desafios do Brasil é diminuir a distância entre as leis e a aplicação delas. Um exemplo é que o acesso a mecanismos de contracepção é restrito. Funcionários, por motivos de cunho religioso ou moral, não entregam contraceptivos para mulheres mais jovens”, explica Jaqueline. “Então, decisões que escapam da questão do direito à saúde impedem que essas mulheres tenham acesso. Sejam elas tomadas por prefeituras, prefeitos ou outros entes”, completa.

A conselheira do CNDM reconhece os avanços na legislação, em favor dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e da população LGBT. Ela entende que o Brasil apresentou mudanças positivas nessa área, embora exista espaço para mais mudanças.

“Hoje, sabemos que existem questões ligadas a hipertensão, lúpus, problemas cardiológicos, que tornam a gravidez de altíssimo risco para a mulher. Ela deveria ter o direito de interromper. Além disso, em casos onde o aborto é permitido, a lei não é cumprida, porque há uma pressão tão grande de setores religiosos e conservadores, que são poucos os centros de atenção à mulher”.

Acompanhe tudo sobre:MulheresONUPreconceitosDireitos civisGaysLGBT

Mais de Brasil

CNH automática para 'bom condutor' entra em vigor nesta segunda-feira; veja como obter

Alfa, Gerp e Quaest: quando saem e quais são as próximas pesquisas eleitorais?

Ministério da Saúde anuncia suspensão de vacina da dengue do Butantan após mortes suspeitas

Nunes Marques suspende pesquisa eleitoral da AtlasIntel que aponta queda de Flávio Bolsonaro