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Anvisa decide manter suspensão de detergentes e desinfetantes da Ypê

Agência apontou falhas sanitárias e histórico recorrente de contaminação microbiológica em produtos da empresa

Anvisa: diretoria manteve suspensão de produtos da Ypê após identificar falhas sanitárias e contaminação microbiológica

Anvisa: diretoria manteve suspensão de produtos da Ypê após identificar falhas sanitárias e contaminação microbiológica

Publicado em 15 de maio de 2026 às 11h41.

A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu por unanimidade nesta sexta-feira, 15, manter a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de linhas de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da Ypê.

Nos votos, os diretores afirmaram que as medidas adotadas pela empresa foram “insuficientes”, citaram um “histórico recorrente de contaminação microbiológica” e defenderam que os riscos sanitários identificados pela fiscalização ainda não foram superados.

A decisão vale para todos os lotes de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com numeração final 1.

Apesar de manter a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos, a diretoria retirou o efeito suspensivo especificamente sobre a medida de recolhimento imediato dos lotes.

Segundo os diretores, a empresa deverá apresentar um plano de ação para o recolhimento baseado em análise de risco, permitindo acompanhamento técnico e eventual liberação gradual de produtos lote a lote.

Diretores citaram riscos sanitários

O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, afirmou que as “medidas implementadas pela empresa foram insuficientes” e mencionou um “histórico recorrente de contaminação microbiológica envolvendo os produtos da empresa”.

Já o diretor Thiago Campos afirmou que a análise atual tem natureza cautelar e defendeu que, em matéria sanitária, “aguardar certeza absoluta do dano significa agir tardiamente”.

A diretora Daniela Marreco classificou o risco sanitário como “alto” e afirmou que a repercussão do caso gerou uma “discussão polarizada” que “não reflete as motivações da agência”, que, segundo ela, são técnico-científicas e voltadas à proteção da saúde pública.

Último a votar, Daniel Pereira afirmou que, embora reconheça a relevância econômica da empresa, isso “não pode se sobrepor ao dever institucional da agência na proteção da saúde pública”. Ele também defendeu acompanhamento contínuo da Anvisa para possibilitar que a empresa retome “o quanto antes” suas atividades.

Entenda o caso

A decisão de suspensão dos produtos foi tomada a partir de uma avaliação técnica de risco sanitário conduzida pela Anvisa em articulação com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, após inspeção conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e a Vigilância Sanitária de Amparo, no interior paulista, onde fica a unidade da Química Amparo.

Durante a inspeção, segundo a Anvisa, foram constatados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.

A agência também informou que a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.

Os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos das chamadas Boas Práticas de Fabricação de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de contaminação microbiológica.

Em nota divulgada no dia 8 de maio, a Anvisa informou que mantinha a avaliação técnica de risco e orientou os consumidores a não utilizarem os produtos atingidos pela medida.

A responsabilidade de orientar a população sobre troca, devolução ou ressarcimento, segundo a agência, é da própria empresa, por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).

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