Repórter
Publicado em 13 de abril de 2026 às 13h44.
Última atualização em 13 de abril de 2026 às 14h57.
O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) prendeu o ex-deputado federal Alexandre Ramagem nesta segunda-feira, 13. A informação foi confirmada pela Polícia Federal à GloboNews e ao portal G1.
Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Segundo a PF, Ramagem deixou o Brasil de forma clandestina antes do término do julgamento, atravessando a fronteira de Roraima com a Guiana para evitar a prisão, seguindo depois para os Estados Unidos.
De acordo com investigações da Polícia Federal (PF) divulgadas pelo G1, Alexandre Ramagem Rodrigues deixou o país antes da conclusão do julgamento. A saída ocorreu de forma clandestina, com travessia pela fronteira de Roraima em direção à Guiana, seguida de deslocamento para os Estados Unidos.
As apurações indicam que a movimentação teve como objetivo evitar o cumprimento de ordem de prisão. Posteriormente, o ex-deputado seguiu para território norte-americano, onde passou a permanecer durante o andamento do processo judicial.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça comunicou ao Supremo Tribunal Federal o envio formal do pedido de extradição aos Estados Unidos. A documentação foi encaminhada pela Embaixada do Brasil em Washington ao Departamento de Estado norte-americano em 30 de dezembro de 2025.
O ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol, organização internacional de polícia criminal. A medida abriu a possibilidade de detenção por autoridades estrangeiras em cooperação internacional.
Relatos de aliados indicavam a intenção de solicitar asilo político nos Estados Unidos, embora não haja confirmação oficial sobre a formalização do pedido.
Ramagem está caminhando em uma rua de Orlando, na Flórida, quando foi abordado pelos agentes do ICE. Depois que o brasileiro apresentou seus documentos, ele foi preso pelas autoridades.
Segundo a PF, o ex-deputado foi preso por motivos relacionados à política migratória adotada pelo presidente americano Donald Trump.
Enquanto permaneceu fora do país, Alexandre Ramagem foi alvo de decisões administrativas e políticas. Em 18 de dezembro, a Câmara dos Deputados declarou a cassação de seu mandato como deputado federal.
Em seguida, houve o cancelamento do passaporte diplomático vinculado ao exercício do cargo. Por determinação do Supremo Tribunal Federal, a Câmara também executou o bloqueio dos vencimentos parlamentares.
Alexandre Ramagem: ex-deputado federal foi preso pelo serviço de imigração dos EUA (Marcos Oliveira/Agência Senado)
Alexandre Ramagem foi condenado em setembro a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão, em regime inicial fechado, por tentativa de golpe de Estado em 2022 pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele já atuou como deputado federal e na liderança da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
A Turma condenou Ramagem pelos crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
No caso do ex-deputado, o réu não responde aos crimes de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, o que reduziu a pena. Além da condenação, a Corte decidiu pela perda de mandato do parlamentar e perda do cargo de delegado.
Na decisão sobre os efeitos civis e administrativos da pena, a Corte decidiu que todos os condenados ficarão inelegíveis por 8 anos depois do cumprimento da pena. Também foi determinado que os condenados terão de pagar uma multa coletiva por dano morais de R$ 30 milhões.
A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu na denúncia que os ministros somem as penas de todos os crimes. Nesse cenário, a punição máxima poderia chegar a 43 anos de prisão.
Segundo a PGR, uma organização estava "enraizada na própria estrutura do Estado e com forte influência de setores militares", e se "desenvolveu em ordem hierárquica e com divisão das tarefas preponderantes entre seus integrantes".
A acusação afirma que os delitos descritos não são de ocorrência instantânea, mas se desenrolam em cadeia de acontecimentos, alguns com mais marcante visibilidade do que outros, sempre articulados ao mesmo objetivo – o de a organização, tendo à frente o então presidente da República Jair Bolsonaro, não deixar o Poder, ou a ele retornar, pela força, ameaçada ou exercida, contrariando o resultado apurado da vontade popular nas urnas.
Entre os fatos revelados pelos investigadores está o plano "Punhal Verde e Amarelo", uma trama para assassinar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.