Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) realiza sabatina de indicado para exercer o cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). À mesa, em pronunciamento, indicado para exercer o cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem Rodrigues. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado (Marcos Oliveira/Agência Senado)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 13 de abril de 2026 às 14h53.
Última atualização em 13 de abril de 2026 às 15h28.
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso nesta segunda-feira, 13, pelo Serviço de Imigração e Controle de Duanas dos Estados Unidos (ICE).
Segundo informações da Globo News, Ramagem foi abordado na rua por agentes do ICE, que pediram a sua documentação.
Foi verificado que ele estava em condições ilegais nos Estados Unidos, o que resultou na prisão do ex-deputado.
Ao consultar o histórico de Ramagem, os americanos notificaram a Polícia Federal (PF) brasileira. Ainda não há informações se o ex-deputado será extraditado.
Em relato, Paulo Figueredo, aliado do deputado Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos, afirmou que a abordagem ocorreu por uma infração leve de trânsito.
Figueredoafirmou que Ramagem está legal e possui um pedido de asilo pendente, protocolado há tempos e ainda sob análise, o que lhe permite permanecer legalmente nos Estados Unidos até a decisão final do caso.
Ramagem foi condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão, em julgamento da Primeira Turma da Corte do Supremo Tribunal Federal.
O deputado, que integra a base de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi sentenciado por crimes como organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado.
Em dezembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou o início do processo de extradição de Ramagem.
Ramagem deixou o país no mesmo mês da condenação, com destino aos Estados Unidos, onde permanece foragido.
Segundo investigações da Polícia Federal (PF), o deputado deixou o Brasil de forma clandestina, atravessando a fronteira com a Guiana pelo estado de Roraima, onde já atuou como delegado. A travessia foi realizada sem registro em postos migratórios.
Na capital do país vizinho, Georgetown, ele embarcou rumo aos Estados Unidos utilizando passaporte diplomático.
Ramagem entrou na Polícia Federal (PF) em 2005. Ele foi chefe de segurança do então candidato a presidência Jair Bolsonaro (PL) após o atentado em Juiz de Fora, durante a campanha.
Durante a gestão Bolsonaro, ele foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Em 2020, ele foi nomeado como diretor-geral da Polícia Federal, mas a indicação foi barrada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Foi eleito deputado federal pelo PL em 2022 com 59 mil votos.
Em 2024, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro. Com 30% dos votos, terminou em segundo lugar. Eduardo Paes (PSD) foi o candidato reeleito naquele ano.
Em dezembro de 2025, teve o seu mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados após ser condenado por tentativa de golpe.