A queda de braço pelo óleo nas praias do Nordeste continua

O improviso e a lentidão das autoridades vêm marcando o combate às manchas de poluição

A semana começa como terminou a anterior nas praias do Nordeste: com moradores colocando a mão na massa para tentar se livrar das manchas de petróleo que seguem chegando pelo mar. Segundo a Marinha, já foram recolhidas 525 toneladas de óleo desde o início de setembro. A instituição classificou o episódio como “inédito” e voltou a afirmar que o óleo, que navega por baixo da superfície de tão pesado, não foi extraído no Brasil.

O improviso e a lentidão das autoridades vêm marcando o combate às mancha de poluição. Em Pernambuco, a Justiça deu um prazo de 24 horas para que o governo federal adote medidas para conter o óleo, como a colocação de barreiras e a distribuição de equipamentos. O secretário do meio ambiente de Pernambuco, José Bertotti, cobrou mais coordenação e mais equipamentos do governo federal, sobretudo as barreiras de contenção. Segundo o Ibama, as boias são ineficazes para conter o óleo.

Em Salvador, o Bahia entrará em campo nesta segunda-feira com um camisa “manchada de óleo” para enfrentar o Ceará pelo campeonato brasileiro. “Quem derramou esse óleo? Quem será punido por tamanha irresponsabilidade? Será que esse assunto vai ficar esquecido?”, questiona o clube em publicação nas redes sociais.

Segundo o Ministério Público, 2.100 quilômetros de litoral de nove estados já foram atingidos pelo óleo. Segundo o comandante de operações navais da Marinha, o almirante Leonardo Puntel, o governo federal vai cobrir os gastos dos estados. Neste fim de semana a juíza federal Telma Maria Santos Machado decidiu a favor do governo federal numa ação apresentada pelo Ministério Público Federal em Sergipe cobrando ações do governo. A magistrada concluiu que as medidas necessárias foram tomadas.

Para além das disputas judiciais, o renitente avanço da mancha de poluição joga luz em mais um episódio de inépcia do Ministério do Meio Ambiente e do governo federal, semanas após a crise internacional com as queimadas na Amazônia. Em abril, o governo extinguiu o comitê que integrava um plano nacional para reagir a incidentes de poluição por óleo, criado em 2013. Seria este o comitê responsável pela reação à tragédia.

Na sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro, como nas queimadas da Amazônia, apontou o dedo para ameaças externas. Disse que o vazamento de óleo pode ser um crime premeditado para prejudicar o leilão da cessão onerosa do pré-sal, previsto para 6 de novembro. O leilão é fundamental para o crescimento econômico do país. Uma resposta e uma prevenção mais adequadas a tragédias ambientais, também.

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