JBS: “A entrada no S&P 500 parece ser o objetivo final, embora ainda haja um caminho a percorrer até que isso se concretize. Acreditamos que a inclusão em índices pode acontecer nos próximos anos”, afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla. (Divulgação)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 7 de abril de 2026 às 06h00.
A JBS aposta na entrada em índices acionários dos Estados Unidos como principal gatilho de valorização em sua nova fase, após avançar na reorganização financeira e na listagem no mercado americano. A inclusão no S&P 500, em especial, pode destravar cerca de US$ 3 bilhões em fluxos passivos para as ações, segundo relatório do BTG, divulgado nesta segunda-feira, 6.
O diagnóstico do banco foi feito após reunião com o CFO Guilherme Cavalcanti e a equipe de relações com investidores. Para o BTG, a companhia começa a migrar de uma tese baseada em reestruturação para outra centrada no mercado de capitais.
Depois de um ciclo focado na redução do custo da dívida e no alongamento do perfil de vencimentos, a JBS passa a mirar a reprecificação de suas ações.
“A entrada no S&P 500 parece ser o objetivo final, embora ainda haja um caminho a percorrer até que isso se concretize. Acreditamos que a inclusão em índices pode acontecer nos próximos anos”, afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.
Antes disso, porém, há alguns obstáculos, segundo o BTG, como o aumento do free float, o histórico mínimo de listagem nos Estados Unidos e o cumprimento de exigências regulatórias, incluindo a divulgação dos formulários 10-K e 10-Q.
Os documentos são relatórios obrigatórios enviados por empresas de capital aberto à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais dos EUA, para garantir transparência.
Se o vetor de valor está no mercado financeiro, o cenário operacional conta outra história. O relatório aponta compressão de margens em praticamente todas as divisões da companhia.
Nos Estados Unidos, principal mercado da JBS, o ciclo pecuário segue pressionado. A redução do rebanho — agravada por anos de seca — limita a oferta de gado e afeta a rentabilidade da indústria.
Em 2025, a produção da proteína americana recuou 4% em relação a 2024, para 11,8 milhões de toneladas, o que fez o país perder o posto para o Brasil como o maior produtor mundial de carne bovina.
Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu de forma relevante, levando concorrentes a fechar plantas e reduzir capacidade. A JBS, no entanto, segue na direção oposta.
“A empresa tem capacidade de atravessar o ciclo sem reduzir ativos, posicionando-se para a recuperação futura”, dizem os analistas.
O posicionamento ficou evidente mesmo em episódios recentes, como a greve em uma de suas principais unidades nos EUA, no Colorado, encerrada após três semanas de paralisação.
No segmento de aves, o cenário também começa a virar. Após um período de margens elevadas, o aumento da produção deve pressionar preços e reduzir a rentabilidade ao longo do ano.
As projeções indicam que a JBS deve crescer em receita, mas com compressão relevante de rentabilidade ao longo de 2026. A estimativa aponta para receita líquida de US$ 91,6 bilhões, EBITDA de cerca de US$ 6 bilhões e lucro líquido próximo de US$ 1,4 bilhão.
A margem EBITDA deve recuar para 6,5%, refletindo pressão simultânea nos segmentos de bovinos, aves e operações no Brasil.
Segundo o BTG, a deterioração ocorre de forma disseminada, atingindo operações como Seara e Pilgrim’s Pride, em meio a uma virada de ciclo nas proteínas.
Apesar do ambiente mais desafiador no curto prazo, o banco mantém recomendação de compra para as ações. “A diversificação permanece como a maior força da JBS”, afirmam os analistas.