Cachaça: Em 2024, os embarques de cachaça geraram US$ 14,5 milhões, sendo cerca de US$ 3,5 milhões destinados aos EUA (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 2 de agosto de 2026 às 07h00.
Minas Gerais segue como o principal polo produtor de cachaça do Brasil. Em 2025, o estado encerrou 2025 com 564 estabelecimentos elaboradores registrados, liderando com ampla vantagem o ranking nacional, segundo o Anuário da Cachaça 2026, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Na sequência aparecem São Paulo, com 230 estabelecimentos, Rio Grande do Sul, com 106, Espírito Santo, com 89, e Santa Catarina, com 81 unidades registradas — juntos, os cinco estados concentram cerca de 70% dos estabelecimentos produtores de cachaça registrados no Brasil. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 31.
O anuário mostra que a Região Sudeste reúne 62,5% dos estabelecimentos registrados no país, consolidando sua posição como principal polo da cadeia produtiva da cachaça.
Apesar dessa concentração, todas as regiões registraram crescimento em 2025. O maior avanço percentual ocorreu na Região Sul, que expandiu 51,4% em relação ao ano anterior.
Além da liderança em número de produtores, Minas Gerais também ocupa a primeira posição em produtos registrados (2.922) e em marcas vinculadas aos registros (4.043), consolidando o estado como principal referência da cachaça brasileira.
Os dados do anuário também apontam que o setor brasileiro de cachaça vive um momento de expansãos, mas um dado chama atenção no balanço de 2025: enquanto o número de produtores, produtos e exportações bateu recordes, o volume de produção encolheu.
O país encerrou 2025 com 1.538 estabelecimentos produtores registrados, um crescimento de 21,5% em relação ao ano anterior — o maior da série histórica, iniciada em 2018.
Ao mesmo tempo, a produção declarada caiu para 234,5 milhões de litros, uma redução de 15,8% frente a 2024.
A combinação entre expansão do número de empresas e retração da produção revela um cenário de transformação do setor e indica que o crescimento da cadeia não está necessariamente associado a um aumento imediato da oferta de bebida.
O levantamento mostra que o crescimento foi disseminado por diferentes indicadores. O número de produtos registrados chegou a 8.379, alta de 16% em relação a 2024, enquanto as marcas vinculadas aos registros avançaram 16,8%, alcançando 11.131.
Outro indicador positivo veio do mercado externo. As exportações de cachaça alcançaram 7,96 milhões de litros em 2025, alta de 19,4% sobre o ano anterior. Em valor, os embarques somaram US$ 17,07 milhões, crescimento de 17,4%.
Ao todo, a bebida brasileira chegou a 76 países, igualando o maior número de destinos da série histórica. Os Estados Unidos permaneceram como principal mercado em valor exportado, enquanto o Paraguai liderou em volume.