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Em viagem à Coreia do Sul, Lula ainda não destrava acordo para carne bovina

Após mais de 15 anos de negociações, a abertura do mercado sul-coreano segue indefinida e depende de auditoria sanitária prometida por Seul

Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, durante visita à Coreia do Sul: “Cumprimos todos os protocolos, e o presidente Lee garantiu de forma expedita que fará auditoria nas plantas frigoríficas brasileiras”.

Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, durante visita à Coreia do Sul: “Cumprimos todos os protocolos, e o presidente Lee garantiu de forma expedita que fará auditoria nas plantas frigoríficas brasileiras”.

Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 10h05.

Última atualização em 23 de fevereiro de 2026 às 14h02.

Após mais de 15 anos tentando abrir o mercado da Coreia do Sul para a carne bovina brasileira, o governo terá que esperar mais um pouco.

A expectativa era de que o tema avançasse durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao país, nesta segunda-feira, 23, mas ainda não há garantias nem prazos definidos.

Segundo fontes ouvidas pela EXAME, a expectativa era de que o governo sul-coreano definisse uma data para a realização da auditoria sanitária — etapa considerada decisiva para a liberação das exportações.

O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, sinalizou que as auditorias serão realizadas, mas não informou quando devem ocorrer.

Apesar disso, o governo afirma estar confiante de que a abertura ocorrerá em breve. Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o país asiático confirmou que realizará auditorias em plantas frigoríficas do Brasil.

“Cumprimos todos os protocolos, e o presidente Lee garantiu de forma expedita que fará auditoria nas plantas frigoríficas brasileiras”, afirmou Fávaro.

O Brasil busca a abertura desse mercado desde 2008. No ano passado, o governo brasileiro chegou a iniciar novas tratativas com o país asiático, mas, por razões políticas internas na Coreia do Sul, as conversas não avançaram.

O consumo anual de carne bovina na Coreia do Sul é estimado em cerca de 600 mil toneladas, um dos mais altos da Ásia.

A passagem pela Coreia do Sul integra uma missão do Brasil para destravar mercados na Ásia. Antes, uma comitiva do governo, acompanhada de empresários, esteve na Índia, onde foram fechados alguns acordos, entre eles o de exportação de feijão-guandu.

A participação da Ásia (excluindo o Oriente Médio) nas exportações do agronegócio brasileiro cresceu 2,2% em 2025 na comparação com 2024, atingindo 49,5% do total. Em valores absolutos, os embarques somaram US$ 84 milhões — alta de 5,3%.

O mercado sul-coreano é um dos quatro na Ásia que o governo brasileiro considera fechado por uma barreira política imposta sob pressão dos Estados Unidos. Japão, Vietnã, Turquia e Coreia do Sul integram essa lista. A abertura dos três primeiros está encaminhada.

Atualmente, quase metade das importações de carne bovina feitas pela Coreia do Sul vem dos Estados Unidos. Já o Brasil responde por 85% do frango importado pelo país.

Agro brasileiro na Coreia

Além da carne bovina, Fávaro anunciou, como mencionado pelo presidente sul-coreano, a etapa final para a exportação de ovos e a previsão de auditorias para a uva, além da ampliação dos estados habilitados a exportar carne suína ao país asiático.

O governo sul-coreano confirmou o recebimento da documentação necessária para a abertura do mercado de ovos brasileiros, e a emissão do certificado sanitário deve ocorrer nos próximos dias.

“O presidente sul-coreano confirmou que recebeu toda a documentação para a abertura do mercado do ovo brasileiro para a Coreia do Sul. Aguardamos, nos próximos dias, a emissão do certificado”, afirmou o ministro.

Também foi confirmada a realização de auditoria por técnicos sul-coreanos para viabilizar a entrada da uva brasileira no país. A medida integra as tratativas para diversificar a pauta exportadora do Brasil no mercado asiático.

Na área de proteínas, houve avanço no aceite dos processos de ampliação dos estados brasileiros autorizados a exportar carne suína.

Unidades da Federação reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal como livres de febre aftosa e de peste suína clássica poderão ter seus sistemas avaliados pela Coreia do Sul. “Um avanço importante para a nossa suinocultura”, disse Fávaro.

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