Tomate: a alimentação no domicílio aumentou 0,96%, impulsionada principalmente pelos produtos in natura. (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 9 de outubro de 2026 às 11h18.
Última atualização em 9 de outubro de 2026 às 11h40.
O preço do tomate subiu 37,76% em setembro de 2026 e contribuiu para a aceleração da inflação dos alimentos no Brasil. A alta foi provocada pela redução da oferta e por condições climáticas que afetaram a comercialização. Segundo o Cepea/Esalq-USP, o preço pago ao produtor paulista aumentou 61,4% no mês. Para os próximos meses, o El Niño pode intensificar a pressão sobre os preços dos alimentos, embora uma recuperação da oferta possa limitar novos aumentos.
O tomate voltou a pesar no bolso dos brasileiros em setembro. Depois de meses de alívio nos preços dos alimentos, o fruto registrou alta de 37,76% no mês e se tornou um dos principais responsáveis pela aceleração da inflação dos alimentos.
Por trás do aumento estão a oferta mais restrita no campo e as condições climáticas que afetaram a comercialização. Para os próximos meses, o comportamento do El Niño, cuja chegada ao Brasil é esperada ainda neste mês, será uma das variáveis decisivas para determinar se os preços continuarão pressionados.
A disparada ocorreu em um momento de retomada da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira, avançou 0,82% em setembro, depois de registrar deflação de 0,32% em agosto. O resultado ficou acima das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,73%, e representou uma aceleração de 1,14 ponto percentual em relação ao mês anterior.
Todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE registraram aumento de preços. Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas concentraram a maior parte da pressão inflacionária, com contribuição conjunta de 0,71 ponto percentual para o resultado do mês.
No caso dos alimentos, a mudança de trajetória chamou a atenção. Depois de três meses consecutivos de queda, o grupo Alimentação e bebidas voltou a subir, com avanço de 0,83% em setembro, ante recuo de 0,34% em agosto. A alimentação no domicílio aumentou 0,96%, impulsionada principalmente pelos produtos in natura.
Além do tomate, outros itens importantes da cesta de consumo tiveram altas expressivas. A batata-inglesa ficou 24,07% mais cara, a cebola avançou 10,14% e o arroz subiu 4,56%. As carnes registraram aumento de 0,63%.
A explicação para a alta começa no campo. A menor oferta de tomate ao longo de setembro elevou os preços recebidos pelos produtores e reduziu o volume disponível para comercialização, pressionando os valores cobrados nos diferentes elos da cadeia.
Dados do Cepea/Esalq-USP mostram que o preço médio pago ao produtor paulista passou de R$ 2,66 por quilo em agosto para R$ 4,30 em setembro, uma valorização de 61,4% em apenas um mês. Na comparação com setembro de 2025, o aumento chegou a 93,5%.
A alta de 61,4% nos preços recebidos pelos produtores paulistas ajuda a explicar por que o tomate chegou ao consumidor com aumento de 37,76% em setembro.
O cenário de oferta restrita também foi observado nos principais mercados atacadistas, como os de São Paulo e Rio de Janeiro, segundo levantamentos da Hortifruti Brasil. No Rio, as chuvas registradas no fim de setembro limitaram a oferta e contribuíram para novas valorizações do produto.
A qualidade do tomate também entrou na conta. A presença de frutos verdes e de menor calibre nos atacados mostra que o abastecimento ainda enfrenta limitações, mesmo diante dos preços elevados.
A preocupação do mercado agora está voltada para os próximos meses. Embora a resistência dos compradores possa limitar novas altas em alguns atacados, a queda mais consistente dos preços ao consumidor dependerá, sobretudo, da normalização da oferta e das condições climáticas nas regiões produtoras.
Para Julio Barros, economista do banco Daycoval, a alta dos alimentos em setembro pode ser um primeiro sinal de que os efeitos do El Niño estão começando a aparecer com mais intensidade nos indicadores de inflação.
“Os preços dos alimentos acabaram vindo ainda mais fortes do que o esperado, em especial nos itens in natura e arroz, o que já pode estar evidenciando justamente os efeitos do El Niño, que a gente já vem alertando há algum tempo e que devem se intensificar no último trimestre do ano, na medida em que a gente vai ter o pico do El Niño e daí para frente”, diz Barros.
O fenômeno climático pode alterar os padrões de chuva e temperatura nas regiões produtoras, com consequências sobre o desenvolvimento das lavouras, a produtividade e o ritmo de colheita.
No caso do tomate, cuja comercialização depende de um abastecimento regular e da qualidade dos frutos, oscilações na oferta tendem a se refletir rapidamente nos preços.
O principal risco para os próximos meses é que a pressão sobre os alimentos não fique restrita ao tomate, mas alcance outros produtos agrícolas sensíveis às condições climáticas.
Apesar da forte valorização de setembro, há sinais de que o mercado pode encontrar algum limite para novos aumentos.
Em São Paulo, a retração das negociações no atacado diante dos preços elevados indica que parte dos compradores já está reduzindo a demanda, o que pode favorecer ajustes nas cotações.
Isso, porém, não significa que a queda dos preços esteja garantida. Se a disponibilidade de tomate continuar limitada, os valores podem permanecer elevados, mesmo com um ritmo mais fraco de comercialização.
O tomate ficou 37,76% mais caro para os consumidores brasileiros em setembro de 2026, segundo o IPCA divulgado pelo IBGE. O produto foi um dos principais responsáveis pela aceleração da inflação dos alimentos no mês.
A alta do tomate foi provocada principalmente pela redução da oferta nas regiões produtoras e pelas condições climáticas que afetaram a comercialização. A menor disponibilidade do produto elevou os preços recebidos pelos agricultores e pressionou os valores cobrados no atacado e no varejo.
Segundo dados do Cepea/Esalq-USP, o preço médio pago ao produtor paulista passou de R$ 2,66 por quilo em agosto para R$ 4,30 em setembro de 2026, uma alta de 61,4%. Na comparação com setembro de 2025, o aumento chegou a 93,5%.
O grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 0,83% em setembro de 2026, após queda de 0,34% em agosto. A alimentação no domicílio subiu 0,96%, impulsionada principalmente pelos alimentos in natura. O IPCA geral avançou 0,82% no mês.
Além do tomate, que subiu 37,76%, a batata-inglesa registrou aumento de 24,07%, a cebola avançou 10,14% e o arroz ficou 4,56% mais caro. As carnes também tiveram alta, de 0,63%, segundo o IBGE.
O El Niño pode modificar os padrões de chuva e temperatura nas regiões agrícolas, afetando o desenvolvimento das lavouras, a produtividade e as colheitas. Segundo Julio Barros, economista do Daycoval, os efeitos do fenômeno podem intensificar a pressão sobre os preços dos alimentos no último trimestre de 2026.
Uma recuperação da oferta nas regiões produtoras pode favorecer a queda dos preços. A redução das compras no atacado, provocada pelos valores elevados, também pode limitar novas altas. Entretanto, se o abastecimento continuar restrito ou as condições climáticas prejudicarem as lavouras, o tomate poderá permanecer caro.