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Praga do México chega ao gado dos EUA e ameaça US$ 1,8 bilhão da pecuária do Texas

Infestações mais amplas poderiam reduzir ainda mais o rebanho bovino dos EUA, que é o menor em 75 anos

Gado nos EUA: A Secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, afirmou que a agência acredita poder conter o caso, o primeiro no Texas desde 1966. (Freepik)

Gado nos EUA: A Secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, afirmou que a agência acredita poder conter o caso, o primeiro no Texas desde 1966. (Freepik)

Publicado em 6 de junho de 2026 às 15h06.

Última atualização em 6 de junho de 2026 às 15h13.

Autoridades dos Estados Unidos confirmaram na quinta-feira, 4, um novo caso da bicheira-do-novo-mundo, parasita que ameaça rebanhos bovinos e outras espécies animais.

O caso foi identificado em um bezerro no Texas, após a praga ter avançado para o norte através do México ao longo do último ano.O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que a praga possa causar prejuízos de até US$ 1,8 bilhãoà economia do Texas.

A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, afirmou que a agência acredita poder conter o caso, o primeiro no Texas desde 1966. Infestações mais amplas poderiam reduzir ainda mais o rebanho bovino dos EUA, que é o menor em 75 anos.

 "A mosca-varejeira do Novo Mundo parece coisa de filme de terror, mas é real. É uma emergência agrícola", disse Nate Sheets, candidato republicano ao cargo de comissário de agricultura do Texas.

Segundo a Reuters, o Instituto da Carne da América do Norte (NAMI, na sigla em inglês), que representa os frigoríficos dos Estados Unidos, solicitou ao USDA que avalie a liberação do transporte de gado considerado de “baixo risco” para abate.

O pedido foi feito após a agência suspender a movimentação de animais em uma área próxima ao foco da praga. Entre as medidas sugeridas está a autorização para o envio direto ao abate de bovinos provenientes de fazendas sem registros de infestação.

As moscas-varejeiras são parasitas cujas fêmeas depositam ovos em feridas abertas de animais. As larvas alimentam-se de tecido vivo e, se não forem tratadas, podem levar o hospedeiro à morte.

O surto atual teve origem na América Central e avançou para o norte, afetando as cadeias pecuária e de carne bovina no México e nos Estados Unidos.

Em razão da disseminação da praga, os Estados Unidos mantêm sua fronteira sul praticamente fechada à entrada de gado mexicano desde maio de 2025, medida que tem contribuído para a alta dos preços da carne no país.

Em entrevista à Reuters, Lee Haines, professor associado de pesquisa em ciências biológicas da Universidade de Notre Dame, disse que a infestação indica que as moscas-varejeiras chegaram aos EUA de qualquer maneira e irão se espalhar entre as populações de animais selvagens.

Preço da carne nos EUA

O avanço da doença no México deve dificultar ainda mais os planos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reduzir os preços da carne bovina no país.

O preço da carne moída, principal matéria-prima dos hambúrgueres, atingiu o recorde de US$ 6,90 por libra-peso em abril, o maior valor da série histórica do Bureau of Labor Statistics (BLS), órgão responsável pelas estatísticas trabalhistas dos Estados Unidos.

O patamar representa quase o dobro do registrado há dez anos e uma alta de aproximadamente 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Os preços da carne bovina nos Estados Unidos vêm acumulando sucessivos recordes. Desde 2020, a valorização chega a 75%, segundo dados do Federal Reserve de St. Louis.

A escalada dos preços tem levado reguladores, representantes da indústria e entidades de defesa do consumidor a buscar explicações para o movimento, além de intensificar o debate sobre os fatores que pressionam os custos ao longo da cadeia pecuária.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, inclusive, abriu uma investigação antitruste para apurar a atuação de grandes processadoras de carne, entre elas JBS, Cargill e Tyson Foods.

A alta nos preços é resultado de uma combinação de fatores, como as condições climáticas adversas, a redução do rebanho bovino e a tarifa de 50% imposta pelo próprio governo Trump sobre a carne brasileira em julho de 2025.

A crise enfrentada pelos pecuaristas americanos se intensificou nos últimos cinco anos. O setor atravessa uma fase de contração do ciclo pecuário, marcada pela redução do rebanho e pela menor oferta de animais para confinamento.

Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu 13%, para 27,9 milhões. O rebanho total de bovinos dos Estados Unidos atingiu o menor nível desde 1952, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

A seca prolongada no oeste americano agravou o cenário ao elevar os custos com ração e reduzir áreas de pastagem, levando produtores a liquidar parte dos rebanhos para preservar caixa.

Em 2025, a produção americana de carne bovina recuou 4% em relação ao ano anterior, para 11,8 milhões de toneladas. Com isso, os Estados Unidos perderam para o Brasil a liderança global na produção da proteína.

A combinação entre seca, custos elevados e redução do rebanho criou um dos cenários mais desafiadores para a pecuária americana nas últimas décadas. No outono passado, o USDA lançou um plano para apoiar pecuaristas na expansão dos rebanhos, incluindo medidas para ampliar o acesso a áreas de pastagem.

Ainda assim, muitos produtores seguem optando por vender os animais para abate, em vez de mantê-los para reprodução, diante dos altos custos dos insumos e da persistência das condições climáticas adversas.

Mesmo com sinais recentes de recomposição, a recuperação do rebanho bovino americano deve ser gradual. O ciclo pecuário exige tempo: entre o nascimento do bezerro e o abate, o processo pode levar de dois a três anos.

O presidente Donald Trump avalia possíveis medidas executivas para reduzir tarifas de importação de carne bovina e flexibilizar regulações sobre os produtores. O objetivo é conter a alta dos preços da proteína no mercado interno.

Embora produtos como ovos, leite e outros itens básicos tenham registrado queda desde o início do novo mandato de Trump, em janeiro de 2025, a carne bovina continua pressionando o bolso do consumidor americano.

Segundo o USDA, os preços da proteína estão mais de 16% acima do registrado no ano anterior, tornando-se um dos principais símbolos da inflação persistente nos Estados Unidos, especialmente às vésperas da temporada de churrascos de verão.

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